Friday, July 5, 2013

O ÚLTIMO ACTO DUM VASSALO



Martinho Júnior, Luanda

1 – O Ministro dos Negócios Estrangeiros demissionário de Portugal, Paulo Portas, realizou duas visitas à Venezuela durante o período que esteve à frente da diplomacia do governo de coligação português.

Durante essas visitas, Paulo Portas procurou manter em velocidade de cruzeiro os relacionamentos bilaterais que foram incrementados pelo governo anterior do socialista José Sócrates.

Isso não passou despercebido a alguns e, de entre as apreciações a essas visitas, evidencio esta, recolhida do blog Clarinet, com um autor que não pôde resistir nem à ironia, nem à verdade, nem ao facto subtil de ser possível uma melhor colagem entre o actual PS e o CDS, do que entre o PSD e o CDS:

(…) “Paulo Portas é um bluff como vendedor diplomático, não tem carteira de clientes. Anda no fundo a bater às portas que outros abriram. Foi à Líbia para ver se não fugiam os acordos anteriormente firmados com Kadhafi e agora está a fazer o mesmo na Venezuela, usufruindo do trabalho feito pelo governo de José Sócrates.

Trabalho esse ridicularizado e até considerado de lesa democracia não só por políticos (de várias áreas), como também por jornaleiros e blogueiros, que estão com dificuldades em engolir a afronta agora feita pela sua gente. Leia-se aquias fortes preocupações com que a embaixada norte-americana via as relações do nosso anterior governo com a Venezuela, segundo um documento divulgado pela WikiLeaks. Estavam preocupados pela imagem cordial dos encontros e pelo crescente reforço militar da Venezuela. 

Podemos informar a embaixada dos EUA, e Companhia, sem passarmos por delatores, que isto de negócios de equipamento militar tem sido mais profissão de Paulo Portas do que de José Sócrates. Já agora, se Paulo Portas vendesse os seus submarinos a Chávez, (que precisa mais deles que nós) fazia um grande favor aos portugueses – era menos tralha para nós pagarmos”.

Aparentemente as duas viagens confundiram as sensibilidades dos mentores e tutores da hegemonia e Paulo Portas, ainda que presente na reunião do “Bilderberg” em Londres em princípio de Junho do corrente, ficou a dever uma “prova de força diplomática”… em jeito de vassalagem…

2 – A oportunidade para “prestar vassalagem” de forma mediática à hegemonia, como um “bom Bilderberg”, à medida que se deterioravam as relações com Passos Coelho, foi entretanto ficando cada vez mais curta, mas para felicidade de Paulo Portas as coisas ocorreram de feição e vieram ter às suas mãos à justa, praticamente momentos antes do seu pedido de demissão:

O avião presidencial do Presidente boliviano Evo Morales precisava de fazer uma escala técnica para reabastecimento em Lisboa na sua viagem de Moscovo de regresso à América Latina e o “espantalho inadvertido” da presença a bordo de Edward Snowden foi utilizado para, ao mesmo tempo que a França e a Espanha, Paulo Portas, enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros português, proibir a aterragem da aeronave presidencial, que só o pôde fazer em regime de emergência em Viena, bastante longe do Atlântico e da ponta mais ocidental da Europa!

É evidente que a medida feriu a América Latina ciosa da construção de sua integração e muito em especial os países que compõem a ALBA, o que está a merecer uma tomada de posição comum para fazer face à afronta.

O governo venezuelano considerou que a decisão infundada da França, de Portugal e da Espanha pôs em risco a vida do Presidente Evo Morales, violando por outro lado os direitos do tráfego aéreo.

Em resultado, não seria de admirar que o governo venezuelano respondesse agora com uma revisão das suas relações bilaterais com Portugal, ao contrário do interesse comum, mas sobretudo do interesse de Portugal!

3 – De facto Paulo Portas utilizou o “ponto de exclamação” da sua presença no governo de coligação português para se decidir a um “acto de completa e inequívoca vassalagem”, à boa maneira da idade média mental dos políticos ocidentais contemporâneos, em especial dos políticos europeus deslumbrados com os parâmetros neo liberais em vigor.

Entre os interesses legítimos de Portugal (e do povo português) e os interesses da hegemonia, Paulo Portas não deixa margem para dúvida nas suas opções, ou não fosse essa a tónica da actuação do governo de coligação e a sua própria tónica tendo em conta a ideologia que professa!

Portugal, enquanto colónia, está entregue a este tipo de vassalos da hegemonia e mais uma vez isso ficou marcado num pseudo-acto de soberania com repercussões internacionais, ainda que à custa duma cultura de bons relacionamentos com a América Latina em geral e da excelente relação bilateral que tem sido cultivada com a Venezuela!

Se alguma vez o caminho do “Bilderberg” tornar viável uma coligação PS-CDS, o PS fica com este antecedente que poderá inibir futuras diplomacias em relação à América Latina e em especial à Venezuela.

Um vassalo como Paulo Portas teve de demonstrar, ao gosto de interesses que coincidem com os da CIA, ser mais “papista que o Papa”!... vai-lhe sem dúvida no seu próprio processo genético e no seu próprio sangue, ou não fosse ele um inveterado “animal político”!...

A consultar:
A não perder, para se melhor compreender os actos de vassalagem:
- The human zoo – Desmond Morris – quotes – http://roboconsumer.wordpress.com/2007/05/23/human-zoo-revisited/

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