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Saturday, October 12, 2013

OS FILTROS CANADIANOS – II

 

Martinho Júnior, Luanda (ver parte I)

1 – Fazer ecoar o que norte-americanos e canadianos têm feito no Brasil por via de instrumentos como a National Security Agency (NSA) ou a Agência Canadiana de Segurança em Comunicação (CSEC), é de importância ainda maior para África, tendo em conta a formação dos dois continentes (Gondwana: África – América do Sul), que se têm vindo a separar de há 200 milhões de anos… e o que tem ocorrido desde as caravelas e dos tempos do Rei Leopoldo, com novo impulso agora em tempos de globalização neo liberal!...

O que acontece hoje redunda do “como a Europa subdesenvolveu África”, um livro da autoria de Walter Rodney publicado em 1975 pela Seara Nova, que é sempre oportuno reler, até para comparar com o que acontece em nossos dias!

Os estudos geológicos que têm sido feitos sobre a deriva dos dois corpos em separação de Gondwana, em ambos os lados do Atlântico Sul, estudos de muito fresca data que acompanharam a descoberta do pré-sal em águas ultra profundas, complementam-se.

Está claro que em Angola, um país que emerge duma série ensanguentada de conflitos e guerras, a presença de canadianos, cientistas e técnicos que têm a geologia e o ambiente como base dos seus estudos, investigações e conhecimentos, tem sido avassalador no seguimento do Acordo de Luena de 4 de Abril de 2002: após o choque traumático prolongado, os instrumentos da globalização, sobre a égide dos “lobbies” da energia e da indústria mineira, tendo personalidades como Nelson Rockfeller ao leme do poder corporativo, dos think tanks e dos serviços de inteligência, exploram como ninguém os êxitos artificiosos e manipuláveis da “paz possível” através de várias vias e garantindo os emparceiramentos de conveniência…

É num país que por razões históricas tem um deficit crónico de quadros, em especial de cientistas e é perante a oportunidade criada que, como faca em manteiga quente, os interesses se movem: os resgates que se têm de realizar para fazer face a um subdesenvolvimento crónico com raízes nos tempos das caravelas, têm imensos obstáculos a vencer mesmo em época de ausência de tiros, por que o escancaramento de portas permite a rédea solta do domínio com a sua panóplia de meios técnicos e humanos!

Essa conjuntura tem sido extremamente favorável aos serviços de inteligência que estão acoplados às potências e às corporações internacionais globalizadoras, pelo que em Angola a inteligência UKUSA-ECHELON-NSA-CSEC têm um espaço quase inerte que não se cansa de explorar, tendo como esteira as explorações de petróleo, de gás, da indústria mineira que têm nos diamantes o maior dos aliciantes e, por tabela as investigações sobre o meio ambiente!...

… e exploram de tal maneira que até tornam os cientistas e técnicos-de-mão em verdadeiros activistas que catalizam atenções e vontades!...

Provocar a discussão e debatendo os temas é salutar, em especial quando as grandes orelhas garantem seu desempenho a partir de Ascensão!

2 – Os canadianos que se encontram em Angola a prestar serviço na indústria mineira (cobrem as áreas relacionadas com o petróleo, o gás, os diamantes e outros minerais), vêm ao abrigo dos mais variados interesses:

- Há aqueles que se ligaram a “libaneses”, seja aqueles que possuem passaporte do Líbano, seja aqueles realmente originários das monarquias arábicas que utilizam essa cobertura; uma parte deles estão no vale do Cuango;

- Há os que servem interesses de originários do Paquistão e da Índia;

- Há os que passam por sul-africanos e vendem seus préstimos a angolanos metidos nos negócios dos diamantes nos ricos vales do Cuanza e do Cuango; uma parte deles estão no planalto do Bié, região central das grandes nascentes;

- Há os que se resguardam na nacionalidade canadiana (o Canadá é um país que continua a receber grandes fluxos migratórios), quando não perderam os laços com países de origem (e isso acontece com aqueles que saíram de “áreas quentes” como o Médio Oriente);

- Há os que estão ao serviço como consultores de empresas multinacionais conhecidas; uma minoria está em áreas urbanas.

Em todos os casos os canadianos reportam por exemplo a interesses israelitas tradicionais na actuação no espaço SADC, desde o Congo à África do Sul, inclusive a israelitas que se identificam com os interesses dos falcões em toda essa vasta região, no seguimento duma linha que, se não é do Cabo ao Cairo, é do Cabo a Cartum… em direcção a Telaviv!…

Uma das “interfaces” israelitas é a Mitrelli, uma multinacional presente em Angola há pouco mais de vinte e cinco anos, que se dedica a agronegócios, gestão de recursos agro-pecuários, gestão de suportes logísticos, actividades comerciais, actividades de defesa e segurança, actividades mineiras…

A sua vinda para Angola resultou da aproximação que houve na época decisiva em que se procurou neutralizar os “diamantes de sangue”, que levaram alguns sectores de Israel a apoiar Angola.

Tem uma presença meritosa, mas não deixa de ter suas ligações…

A Mitrelli está também no Brasil e em África está ainda na Libéria e na Somália…

É lógico que alguns desses interesses existem com suporte de “lobbies” no quadro da energia e da indústria mineira, que têm fluxos em casas como as de Rockefeler e as de Rothshild, passando por carteis como o dos diamantes, da platina e do ouro (De Beers, Anglo American, etc….)!

Outros sectores ligam-se a interesses russos!

3 – Em “Colapso na estratégia do petróleo em Angola” citei o “expert” Tako Koning, um prestigiado geólogo, canadiano de origem holandesa, que prestou serviço à Texaco e à Chevron e agora está reformado (“por meia hora” conforme ironicamente faz constar); de facto ele mantém-se muito activo utilizando a cobertura de consultor, primeiro da Tullow Oil e depois da Gaffney, Cline and Associates!

Tako Koning é um típico activista, um entusiasta que se move à vontade como um homem de cultura profissional sólida, utilizando um espectro muito favorável e um perfil convincente:

- Publicou mais de 100 intervenções;

- Realiza conferências em Angola e em diversas partes do mundo, em especial em universidades, mas também em ambientes menos convencionais como o Clube “Viking”, como aqueles que tiram partido das múltiplas iniciativas do Angola Field Group, ou ainda em inspecções às áreas da Barra do Dande e aos Libongos, a norte de Luanda, onde foram feitas as primeiras prospecções de petróleo “onshore” em Angola e onde se podem aperceber os sinais geológicos das texturas que integram o pré-sal africano.

- Liga-se com outros investigadores de outras áreas como as do meio ambiente, fauna e flora angolanos, de forma a trocarem informação e, como é lógico, “passar a pente fino” um país que no post guerra está todo por explorar e conhecer.

- Beneficia dum ambiente pródigo – as descobertas frescas no pré-sal angolano, sequência das descoberta no Brasil, sendo em ambos os casos ele é um “expert”.

No intervalo Tako Koning vai distribuindo mosquiteiros, envolvendo-se na batalha contra a malária, um flagelo que continua a atingir vastas áreas em Angola.

4 – É à volta desse tipo de personalidades que a inteligência na especialidade e os interesses “no terreno” vão gravitando; com criatividade, capacidade financeira, recursos humanos capazes de enfrentar condições “rústicas” e experiência, há toda uma fórmula que capta, convence e garante proficuidade de métodos e processos.

Angola no post guerra é um terreno virgem, fértil e onde uma inquietante ausência de quadros nacionais facilita um vácuo que está a ser aproveitado de forma marcante e obedecendo a estratégias persuasivas e atractivas no seu “modus operandi”!

Há um ditado antigo que diz que “em terra de cegos, quem tem um olho é rei”!... imaginem quando aparecem com tantos olhos!...

O Angola Field Group é um dos palcos dilectos de Tako Koning, mas o mais suculento das informações científicas que “experts” como ele recolhem decerto que irão para áreas reservadas que não as de Angola.

Provavelmente eles, ao lerem estas linhas, vão torcer um pouco o nariz… todavia, inteligentes e experientes que são, que sejam capazes de provar o contrário…
Como ainda não o provaram e como há Edward Snowden!…

5 – Uma das atracções do Angola Field Group que deixa uma impressiva admiração, é o trabalho de investigação sobre a palanca negra gigante em Cangandala e na Reserva Natural e Integral do Luando, na margem direita do rio Cuanza.

O trabalho que está publicado é de excelência e reflecte uma investigação científica de mérito, que pressupõe um trabalho bem compendiado e catalogado, em curso.

Quer Cangandala, quer a Reserva Natural e Integral do Luando ficam numa das regiões mais geo estratégicas de Angola: próximo do centro geográfico, na região central das grandes nascentes e na posição de conexão dos ricos vales do Cuango e do Cuanza, precisamente em torno do que foi a Zona Estratégica de exploração de diamantes de sangue de Savimbi no Cuanza, situada entre a meridiano do Andulo e o meridiano da comuna do Cuanza (onde existe a ponte do CFB).

Essa Zona Estratégica abrangia o nordeste do Andulo, a Lúbia, a Nharêa, o Dando e o nordeste de Camacupa, na Província do Bié; a leste dela, do outro lado do rio, estava a zona de fuga, que foi utilizada por Savimbi após a Operação Restauro das FAA, entre finais de 1999 e princípios de 2000.

Nessa zona de fuga foi encontrado escondido nas matas um lança-rockets Ouragan.

Ao investigarem o meio ambiente, a fauna e a flora em Cangandala e na Reserva Natural e Integral do Luando, os cientistas, investigadores e técnicos estão numa das mais ricas regiões de diamantes aluviais de Angola, o que quer dizer que por tabela estão coincidentemente nas “minas de Salomão”!

Ora acontece que não é por acaso que é sobretudo no interior profundo de Angola que se espalham muitos dos canadianos presentes no país, que têm no Bié um dos principais fulcros de suas esmeradas atenções!

Muitos deles ali passam-se por sul africanos!

6 – O que foi provado pelo Wikileaks em relação a Tako Koning?

Será que tudo funcionou por mera amizade entre Tako Koning e Mark Schroeder de acordo com os interesses da Statford?

Se foi possível o intercâmbio entre um e o outro, quantos mais “intercâmbios” haverão?

Depois das revelações provenientes de Edward Snowden é mais que justo colocar muitas interrogações sobre o verdadeiro papel de Tako Koning e de muitos outros que fizeram a “descoberta de Angola”, a modos como nos bons velhos tempos de Diogo Cão!

É a vez dos angolanos também os ir descobrindo, quanto mais não seja para ficar registado!

Eis um exemplo da “correspondência”, publicada pela Wikileaks:

“From: Mark Schroeder [mark.schroeder@stratfor.com]

Sent: Wednesday, June 16, 2010 3:50 PM

To: Tako Koning

Subject: question from STRATFOR

Dear Tako:

Greetings again, I hope all is well in Luanda? I just wanted to ask a curious question, as to why Lobito/its environs was selected as the location for the proposed new refinery? The government can justify needing a big new refinery, but why Lobito and not closer to Luanda, where presumably most of the demand for the end product will come from?

Thank you for your thoughts.

My best,

--Mark

Mark Schroeder
STRATFOR
Director of Sub Saharan Africa Analysis
T: +1-512-744-4079
F: +1-512-744-4334
mark.schroeder@stratfor.com
www.stratfor.com”

As respostas de Tako Koning serão para uso de quem?

Mapa: Perspectiva Leste – Oeste do corte do Atlântico Sul, evidenciando os depósitos de pré-sal – Geological similarities with Brazil’s pre-salt attract investments to Africa – http://www.offshore-mag.com/articles/print/volume-70/issue-7/latin-america/geological-similarities-with-brazils-pre-salt-attract-investments-to-africa.html

A consultar:
. West Africa and pre-salt –
http://www.oilreviewafrica.com/geology/geology-a-geophysics/west-africa-and-pre-salt
. Angola Field Trips are geology and more –
http://www.aapg.org/explorer/2012/02feb/make_difference0212.cfm
. Oil and geology in Cuanza Basin of Angola –
http://aapgbull.geoscienceworld.org/content/50/1/108.abstract
. The will to drill –
http://www.nytimes.com/2011/01/16/magazine/16Drilling-t.html?_r=2&hpw&
. Oil and geology in Cuanza Basin of Angola –
http://aapgbull.geoscienceworld.org/content/50/1/108.abstract
. New play, new rules –
http://www.mirandalawfirm.com/uploadedfiles/42/26/0002642.pdf
. Angola’s deepwater goldem Block 17 –
http://www.oilandgasonline.com/doc/angolas-deepwater-golden-block-17-0001
. Angola – Oil, Diamonds and Blood –
http://insomniacs2.wordpress.com/2012/07/05/angolaoildiamonds-and-blood/
. A diamond in the rough –
http://www.haaretz.com/weekend/week-s-end/a-diamond-in-the-rough-1.373420
. Angola Field Group –
http://angolafieldgroup.com/
. Cangandala –
http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_da_Cangandala; http://angolafieldgroup.com/tag/cangandala-national-park/
. Giant sable –
http://angolafieldgroup.com/palanca-negra/
. Reserva Natural e Integral do Luando –
http://ecoharia.blogspot.com/2006/03/reserva-natural-do-luango.html
. Nova vida –
http://www.exameangola.com/pt/?det=33030
. Grupo Mitrelli participa na 1ª feira sobre energia e águas –
http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/ciencia-e-tecnologia/2013/8/39/Grupo-Mitrelli-participa-feira-sobre-energia-aguas,d2b63291-fb22-486d-a287-22950fbd17e7.html
. Operação Restauro – O marco da viragem para o caminho da paz –
http://www.consuladodeangola.org/index.php?option=com_content&task=view&id=124&Itemid=158
. O vale do Cuango –
http://pagina--um.blogspot.com/2011/01/o-vale-do-cuango.html
. Ainda o cale do Cuango – I –
http://paginaglobal.blogspot.com/2013/03/ainda-ovale-do-cuango-i.html
. Ainda o cale do Cuango – II –
http://paginaglobal.blogspot.com/2013/03/ainda-o-vale-do-cuango-ii.html
. Ainda o vale do Cuango – III –
http://paginaglobal.blogspot.pt/2013/03/ainda-o-vale-do-cuango-iii.html
. Ainda o vale do Cuango – IV –
http://paginaglobal.blogspot.com/2013/03/ainda-o-vale-do-cuango-iv.html
. Colapso na estratégia do petróleo em Angola – http://paginaglobal.blogspot.com/2013/09/colapso-na-estrategia-do-petroleo-em.html
. La espionagem es parte de la guerra total – http://www.jornada.unam.mx/2013/09/20/index.php?section=opinion&article=027a2pol
. Question from STRATFOR – Tako Koning – https://wikileaks.org/gifiles/docs/5043777_re-question-from-stratfor-.html

 

OS FILTROS CANADIANOS – I

 

Martinho Júnior, Luanda

1 – As revelações de Edward Snowden em relação ao Brasil, têm caído na opinião pública em cascata, por intermédio dos jornalistas Glenn Greenwald e Sonia Bridi.

Primeiro foi a espionagem da NSA dirigida à Presidência do Brasil, depois foi em relação à PETROBRAS e ao pré-sal, agora as revelações dão a conhecer o que os norte-americanos, com a ajuda dos canadianos da Agência Canadense de Segurança em Comunicação (CSEC), têm feito em relação ao Ministério de Minas e Energia do Brasil!

A cadência seguida sugerem que o Brasil, a América Latina e África não podem descansar, muito pelo contrário!

De facto o que se deve esperar após o Wikileaks e Edward Snowden, é apenas uma refinação dos procedimentos dos Estados Unidos e dos seus aliados dilectos para se meterem com seus poderosos meios e apesar de mais comedidos nos recursos em tudo onde não são chamados.

Os programas refinar-se-ão envoltos no celofane da democracia e dos direitos humanos de acordo com as interpretações de conveniência e recorrendo sempre à ameaça terrorista!

As revelações têm alguns antecedentes para com o Brasil, entre eles um livro de mil páginas lançado em 1998, "Seja Feita a Vossa Vontade”, dos jornalistas americanos Gerard Colby e Charlotte Dennett.

Segundo os jornalistas, são os interesses dos Rockefeller que instrumentalizavam já na década de 90 do século passado a CIA, que nos dão a perspectiva do domínio da hegemonia unipolar na América Latina, como em África, em especial no espaço SADC!...

Os interesses dos Rockefeller na África Austral são todavia muito anteriores: datam de meados do século passado e tornaram-se dominantes no Congo e na Zâmbia, em particular com a exploração dos “copperbelt” do Katanga e de Kitwe, via Union Minière – Société Générale Belgique, que teve no conde Étienne d’Avignon (membro influente no Bilderberg tal como um dos Rockefeler) um dos seus administradores mais influentes.

Com a exploração de minérios no “copperbelt”, os interesses dos Rockefeller em África integraram os planos desenvolvidos a partir da perspectiva “do Cabo ao Cairo” de Cecil John Rhodes, permitindo-se a fusões estratégicos de interesse com os Openheimer e com a casa Rothshild!

Em Angola esses interesses fizeram-se sentir em tempo colonial com o Caminho de Ferro de Benguela (Sir Robert Williams, um dos construtores da linha, foi um dos companheiros de Cecil John Rhodes), ou com a Agence Maritime Internationale SA (ainda instalada em Angola) e, entre outras companhias de navegação, a Compagnie Maritime Belge… Antuérpia foi sempre um ponto de atracção para com Angola, fosse pela via do seu porto, fosse pelos minérios do Katanga, fosse pela via de suas Bolsas de Diamantes!...

O Caminho de Ferro de Benguela só foi construído, enquanto via de penetração, para fazer o escoamento até um porto na costa do Atlântico (o Lobito), dos minérios do interior profundo do continente africano, por onde passava a trilha “do Cabo ao Cairo” do império britânico, trilha essa que procurou introduzir as tecnologias da Revolução Industrial.

Com o CFB foi por exemplo possível disseminar missões protestantes na região de maior implantação humana de Angola, o planalto central, de forma a que, fazendo face à Concordata de Portugal com a Santa Sé no tempo colonial, se desse origem à oportunidade do processo sócio-político que por seu turno deu azo à projecção dum Jonas Savimbi tão manipulável que durante décadas serviu os interesses dos grandes “lobbies” dos minerais… até se esgotar nos controversos “diamantes de sangue”!...

2 – Segundo a TV Globo, “a apresentação dos canadenses ocorreu em junho do ano passado, numa reunião anual de analistas ligados a agências de espionagem de cinco países.

O grupo, chamado de Five Eyes (Cinco Olhos), é composto por Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

De acordo com o Fantástico, Snowden estava nesta conferência.

Não há indicações, no entanto, do período em que as comunicações do ministério foram mapeadas.

De acordo com a reportagem, os canadenses conseguiram, inclusive, monitorar comunicações em VPNs, redes consideradas seguras por utilizar tecnologia on-line semelhante à dos bancos.

No ministério transitam dados sobre mineração, petróleo e energia elétrica.

O Canadá é um dos maiores produtores mundiais de energia (petróleo e elétrica) do mundo e sede de algumas das maiores empresas de mineração”…

É evidente que quando se “filtra” um “núcleo duro” como um Ministério, neste caso de Minas e Energia, é por que já são devassas as empresas privadas dedicadas à mineração e não só por meio de tecnologias, mas também por via dos cientistas, executivos e técnicos por elas recrutados, tendo em conta que os canadianos têm geólogos, executivos, consultores e técnicos de toda a ordem espalhados pelos quatro cantos do mundo.

A experiência de Edward Snowden, é razoável recordá-lo, foi de ordem “techint”, mas quando em função das tecnologias há espionagem, é lógico que ela é parte integrante dum pacote que envolve experiências dirigidas “humint”, as experiências “no terreno”, por vezes em situação “deep inside” e não olhando para a nacionalidade dos agentes!

É a partir das entidades privadas que os recursos humanos alinhados aos interesses dos serviços de inteligência melhor se podem expandir, por que à sombra dos privados os recrutamentos são até mais fáceis de conseguir e corespondem a psicologias e lógicas muito mais persuasivas!

3 – Segundo ainda a TV Globo, “as discussões para elaboração do novo Código da Mineração, lançado pela presidente Dilma Rousseff, em junho, poderiam ser, em tese, um dos motivos que despertaram o interesse de espiões, canadenses ou americanos, pelo Ministério de Minas e Energia, segundo avaliação de ex-funcionários do governo entrevistados pelo GLOBO.

O novo código eleva a Contribuição Financeira sobre Exploração Mineral (Cfem), o royalty do setor, para até 4% do faturamento das empresas.

O ministério estava modificando toda a regulamentação; então grupos internacionais têm interesse de saber o mais rápido possível quais vão ser novas regras, para saber se vale a pena investir.

Esta espionagem deve ter sido feita, talvez até impulsionada pelas empresas do setor — disse Peter Greiner, ex-secretário do Ministério de Minas e Energia.

Analistas destacaram ainda que as decisões da pasta englobam interesses comerciais de concessionárias do setor, o que gera preocupações quanto ao vazamento de informações.

Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras e diretor da Coppe, lembrou que contratos de concessões do setor elétrico e petrolífero passam pelo ministério.

Por isso, empresas podem sair beneficiadas se acessarem manifestações de interesse ou lances de concorrentes em concessões.

Outro exemplo de ação estratégica discutida no ministério foi a decisão de colocar em leilão o campo de Libra, com reservas estimadas de oito a 12 bilhões de barris de petróleo, primeira área do pré-sal a ser oferecida em outubro pelo governo sob o novo regime de partilha.

Ele disse que o discurso da presidente Dilma Rousseff na Assembleia Geral da ONU, no qual manifestou indignação por ter o governo espionado, não é o bastante:

Esta espionagem mostra nossa vulnerabilidade.

O governo deveria intervir em empresas americanas que trabalham com sistemas computacionais (acessados pela NSA).

Para abrir negociação, temos que dar um passo à frente para depois dar um passo atrás”…
Agora o que me parece é que o estado brasileiro terá de dar muitos passos atrás, revendo equipamentos, meios tecnológicos e todos os procedimentos internos, se quiser garantir efectivamente o exercício da sua soberania!

Mapa: Gondwana, América do Sul, África e os pré-sal das duas margens do Atlântico Sul, um processo evolutivo que se desenrola de há 200 milhões de anos a esta parte – Geological similarities with Brazil’s pre-salt attract investments to Africa – http://www.offshore-mag.com/articles/print/volume-70/issue-7/latin-america/geological-similarities-with-brazils-pre-salt-attract-investments-to-africa.html

A consultar:
. CIA faz devassa em busca do mapa das minas –
http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1336
. Salt: geology and tectonics of selected Brazilian basins in their global interests – http://panoramaenergetico.com.br/site/wp-content/uploads/2012/06/Salt-geology-and...-Article-2012.pdf
. Ministério de Minas e Energia foi alvo de espionagem internacional – http://oglobo.globo.com/pais/ministerio-de-minas-energia-foi-alvo-de-espionagem-internacional-10272948
. Canadian Spy Agency ‘Dissected’ Brazilian Energy Ministry – http://www.globalresearch.ca/canadian-spy-agency-dissected-brazilian-energy-ministry/5353279
. Concessões e políticas públicas foram expostas – http://oglobo.globo.com/pais/concessoes-politicas-publicas-ficam-expostas-10272964
. Tectonic Reconstructions and Petroleum System Correlations in the Southern South Atlantic: Exploratory Analysis and the Search for a New Hydrocarbon Play – http://gcsproceedings.sepmonline.org/content/gcs032/1/SEC30.abstract; http://gcsproceedings.sepmonline.org/content/gcs032/1/SEC30.body.pdf+html
. West Africa and pre-salt – http://www.oilreviewafrica.com/geology/geology-a-geophysics/west-africa-and-pre-salt
. Reverter a entrega de Libra – http://resistir.info/brasil/benayon_set13.html
. Romper os acordos militares com os EUA e suspender o leilão do Campo de Libra – http://resistir.info/brasil/acordos_militares_com_eua.html

Tuesday, October 8, 2013

UMA EMERGÊNCIA FRÁGIL E VULNERÁVEL – II

 

Martinho Júnior, Luanda (ler parte I)

1 – “Rugir pode dar dor de garganta”, considera o articulista MK Bhadrakumar a propósito do papel da Presidente Dilma Roussef na ONU:

… “O problema de rugir é que pode dar dor de garganta. É o que pode acontecer a Rousseff se persistir nos rugidos, até que não lhe reste outro remédio além de gargarejos de salmoura e um voto de silêncio até que recupere a voz”…

A ironia diplomática veio a propósito do comportamento face ao caso das divulgações de Edward Snowden, por parte dos BRICS asiáticos: Rússia, China e Índia!

2 – Não está mal informado MK Bhadrakumar e para se chegar a essa conclusão basta:

- Conhecer o Acordo Militar do Brasil com os Estados Unidos, em vigor desde a data da sua assinatura, a 12 de Abril de 2010;

- Avaliar o que as partes têm vindo a realizar no âmbito desse acordo de então para cá.

Foi o que fez o Partido Comunista do Brasil, em tempo e com sentido de responsabilidade anti imperialista; fez desde logo as críticas que achou oportunas de acordo com os princípios e opções por que se rege e publicou na sua página na Internet o referido Acordo.

Veja-se desde logo, em conformidade, o conteúdo do 1º artigo, Escopo:

“O presente Acordo, regido pelos princípios de igualdade, reciprocidade e interesse mútuo, em conformidade com as respectivas leis e regulamentos nacionais e as obrigações internacionais das Partes, tem como objetivo promover:

a) a cooperação entre as Partes em assuntos relativos à Defesa, particularmente nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, apoio logístico, segurança tecnológica e aquisição de produtos e serviços de Defesa;
b) a troca de informações e experiências adquiridas no campo de operações e na utilização de equipamento militar de origem nacional e estrangeira, bem como as relacionadas a operações internacionais de manutenção de paz;
c) a troca de experiências na área de tecnologia de defesa;
d) a participação em treinamento e instrução militar combinados, exercícios militares conjuntos e o intercâmbio de informações relacionado a esses temas;
e) a colaboração em assuntos relacionados a sistemas e equipamentos militares; e
f) a cooperação em quaisquer outras áreas militares que possa ser de interesse mútuo das Partes”.

3 – Desde que o Acordo Militar do Brasil com os Estados Unidos foi conhecido que o PCB tem mantido um posicionamento político interno crítico à política exterior do governo de Dilma, em alguns casos detalhando na sua argumentação.

As duas tónicas principais são “romper os acordos militares com os EUA e suspender o leilão do Campo de Libra”, mas qualquer uma dessas pretensões parece estarem a esbarrar com um muro de indiferença por parte do executivo.

O Brasil, se tem soluções para fazer face à espionagem norte americana, não pretende “romper” e esse posicionamento só pode favorecer as políticas de hegemonia unipolar do império, que são reforçadas com a absorção de novas tecnologias!

O modo de funcionamento do SIVAM, “Sistema de Vigilância da Amazónia” e da própria ABIN, “Agência Brasileira de Inteligência”, é vulnerável e, é preciso recordar, é uma herança do governo de Fernando Henrique Cardoso!

Para tornar operacional por exemplo o SIVAM, foram adquiridos equipamentos e tecnologias à norte-americana Raitheon e à francesa Thomson… não haverá demasiadas janelas abertas no próprio “hardware” instalado?

Assim sendo, o Brasil é, com a África do Sul, um dos elos mais fracos da cadeia dos maiores emergentes:

Os emergentes asiáticos aplicam, quase na generalidade, tecnologia de inteligência e militar com “hardware” por si fabricados, o que não acontece com os emergentes do hemisfério ocidental, situados na América e em África, demasiado dependentes das tecnologias ocidentais, particularmente das várias componentes da OTAN!

Mesmo assim a Rússia adquiriu recentemente à França 4 navios polivalentes da classe Mistral a fim de suprir a sua frota, carente desse tipo de meios e dos respectivos conceitos.

A título de exemplo, em relação ao Brasil:

O primeiro Navio de Patrulha Oceânica construído para as acções na “Amazónia Azul”, duma série de três, construído nos estaleiros da potência tutelar da ilha-pirata de Ascensão!... quanto mais me espionas, mais eu gosto de ti!...

…“A entrega se realizou no prazo de apenas seis meses, após a assinatura do contrato de £133 milhões, prevendo o fornecimento de três Navios de Patrulha Oceânica e a prestação dos serviços auxiliares de suporte. De acordo com o contrato, caberá à BAE Systems fornecer também treinamento a mais de 80 membros da tripulação do Amazonas, baseados atualmente em Portsmouth. O treinamento abordará áreas como operação do navio, sistemas eletrônicos e propulsão. O navio rumará para Plymouth, em julho, onde a tripulação completará seu programa de treinamento, antes de seguir para o Brasil, em agosto.

O primeiro de sua classe, o Amazonas, foi construído nas instalações da BAE Systems, em Portsmouth. Os outros dois navios de sua classe, o Apa e o Araguari, foram construídos nos estaleiros de Scotstoun, às margens do rio Clyde, sendo que a entrega de ambos está prevista para dezembro de 2012 e abril de 2013, respectivamente”…

O “rugido” de Dilma foi apenas para a ONU ouvir: de mau humor desses está mesmo o inferno cheio e, entre rugidos, até nas fotografias continua a ser explícito o sorriso de Obama!

Foto: Se mau humor houve por parte de Dilma Roussef, ele é inconsequente; daí o sorriso amplo de Barack Hussein Obama: contrastes!
 
 

Monday, October 7, 2013

UMA EMERGÊNCIA FRÁGIL E VULNERÁVEL – I

 

Martinho Júnior, Luanda
 
1 – As palavras de Dilma a 24 de Setembro do corrente na ONU, ainda ressoam nos nossos ouvidos, num discurso cuja primeira parte foi dedicada à denúncia da espionagem que os Estados Unidos têm levado a cabo tendo como alvo o Brasil e a sua emergência:

…“Senhor Presidente,

Quero trazer à consideração das delegações uma questão à qual atribuo a maior relevância e gravidade.

Recentes revelações sobre as atividades de uma rede global de espionagem eletrônica provocaram indignação e repúdio em amplos setores da opinião pública mundial.

No Brasil, a situação foi ainda mais grave, pois aparecemos como alvo dessa intrusão. Dados pessoais de cidadãos foram indiscriminadamente objeto de interceptação. Informações empresariais – muitas vezes, de alto valor econômico e mesmo estratégico - estiveram na mira da espionagem. Também representações diplomáticas brasileiras, entre elas a Missão Permanente junto às Nações Unidas, e a própria Presidência da República tiveram suas comunicações interceptadas.

Imiscuir-se dessa forma na vida de outros Países fere o Direito Internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre eles, sobretudo, entre nações amigas. Jamais pode uma soberania firmar-se em detrimento de outra soberania. Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos e civis fundamentais dos cidadãos de outro país. Pior ainda quando empresas privadas estão sustentando esta espionagem.


Não se sustentam argumentos de que a interceptação ilegal de informações e dados destina-se a proteger as nações contra o terrorismo.

O Brasil, Senhor Presidente, sabe proteger-se. O Brasil, Senhor Presidente, repudia, combate e não dá abrigo a grupos terroristas.

Somos um país democrático, cercado de países democráticos, pacíficos e respeitosos do Direito Internacional. Vivemos em paz com os nossos vizinhos há mais de 140 anos.

Como tantos outros latino-americanos, lutei contra o arbítrio e a censura e não posso deixar de defender de modo intransigente o direito à privacidade dos indivíduos e a soberania de meu País. Sem ele – direito à privacidade - não há verdadeira liberdade de expressão e opinião e, portanto, não há efetiva democracia. Sem respeito à soberania, não há base para o relacionamento entre as Nações.

Estamos, Senhor Presidente, diante de um caso grave de violação dos direitos humanos e das liberdades civis; da invasão e captura de informações sigilosas relativas às atividades empresariais e, sobretudo, de desrespeito à soberania nacional do meu País.

Fizemos saber ao Governo norte-americano nosso protesto, exigindo explicações, desculpas e garantias de que tais procedimentos não se repetirão.

Governos e sociedades amigas, que buscam consolidar uma parceria efetivamente estratégica, como é o nosso caso, não podem permitir que ações ilegais, recorrentes, tenham curso como se fossem normais. Elas são inadmissíveis.

O Brasil, Senhor Presidente, redobrará os esforços para dotar-se de legislação, tecnologias e mecanismos que nos protejam da interceptação ilegal de comunicações e dados”…

2 – O Brasil tem toda a legitimidade em defender-se e à sua dignidade, perante um monstro que de há muito perdeu o sentido do respeito para com a humanidade, para com as promessas de democracia e liberdade que apregoa e para com os seus próprios concidadãos, um monstro que tem ultrapassado os limites da coerência e da decência, se comporta com arrogância e faz constante uso da mentira, da manipulação e do ódio!

Denunciar os meios de que se serve a hegemonia para realizar a espionagem, é a posição que também eu tenho vindo a sustentar pelo que ao longo do mês de Setembro e agora em Outubro de 2013 fui produzindo alguns artigos sobre o tema, evidenciando o papel da ilha-pirata de Ascensão no Atlântico Sul.

É nessa ilha que se encontram instaladas as “grandes orelhas” que permitem coleccionar todos os dados referentes aos países do hemisfério sul do Atlântico, tendo o Brasil um dos alvos dilectos para os interesses norte americanos que movem a “iniciativa” UKUSA-ECHELON-NSA!

A posição da Presidente Dilma Roussef na ONU vale pela posição de todos os países banhados pelo Atlântico Sul e na profundidade dos dois continentes, América e África!

Essa responsabilidade merece contudo ser sujeita à “radiografia” própria da consciência crítica: até que ponto essas palavras são substantivas e têm suporte consolidado? Até que ponto a posição não é mais um “bluff”, um desabafo num vazio?

3 – Constato que as palavras da Presidente do Brasil mereceram outra interpretação de quem no Brasil tem cultivado pontos de vista críticos e patrióticos em relação à sua actuação enquanto Presidente e também em relação ao contexto da espionagem norte americana.

Para esses críticos, em muitos aspectos o Brasil está a proceder de modo a que, conforme as políticas neo liberais em curso, as portas sejam escancaradas para com aqueles que levam a cabo a missão de espiar em função dos interesses da hegemonia norte americana, na presunção de alguma coisa corresponder aos interesses estratégicos do Brasil!

Levar a cabo esse efeito é relativamente fácil; em muitos casos basta promover “pontes” a fim de absorver conceitos, tecnologias e investimentos… para justificar o estado de letargia próprio dos incautos… mas isso evidencia como, com quem e em nome do quê se estão a fazer as emergências pelo menos de dois dos BRICS: o Brasil e a África do Sul!

Foto:
Dilma discursa na ONU; foto de 24 de Setembro de 2013 –
http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2013/09/24/espionagem-e-grave-violacao-dos-direitos-humanos-critica-dilma-na-onu/

A consultar:
. Espionagem do governo dos EUA –
http://www.esquerda.net/opiniao/espionagem-do-governo-dos-eua/29697
. El proceso de ocupación de America Latina en el siglo XXI – http://www.rebelion.org/noticia.php?id=174715
. BRASIL COBRA ESCLARECIMENTOS DOS EUA SOBRE ESPIONAGEM – http://paginaglobal.blogspot.com/2013/07/brasil-cobra-esclarecimentos-dos-eua.html
. "Brasil é o grande alvo dos EUA", diz jornalista que obteve documentos de Snowden – http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2013/09/04/brasil-e-o-grande-alvo-dos-eua-diz-jornalista-que-obteve-documentos-de-snowden.htm
. Brazil s Foreign Policy Ambitions And Global Geopolitics – Analysis – http://www.eurasiareview.com/16092013-brazils-foreign-policy-ambitions-global-geopolitics-analysis/
. Como eles espionam? – http://www.defesaaereanaval.com.br/?p=28041
. Dilma escala Cardozo para coordenar resposta à espionagem dos EUA – http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22626&editoria_id=4
. Dilma está cega e sendo enganada por puxa-sacos – http://www.viomundo.com.br/denuncias/stedile-dilma-esta-cega-e-sendo-enganada-por-puxa-sacos.html
. Espionagem contra a Petrobrás permitiu aos EUA obter dados sigilosos sobre o Pré-Sal – https://geopoliticadopetroleo.wordpress.com/2013/09/14/espionagem-contra-a-petrobras-permitiu-aos-eua-obter-dados-sigilosos-sobre-o-pre-sal/
. Os próximos? "Brasil é o GRANDE ALVO dos EUA" – http://www.libertar.in/2013/09/os-proximos-brasil-e-o-grande-alvo-dos.html#ixzz2fGqX9my3
. DILMA ADIA VISITA OFICIAL AOS ESTADOS UNIDOS –
http://paginaglobal.blogspot.com/2013/09/dilma-adia-visita-oficial-aos-estados.html
 

Friday, October 4, 2013

A LONGA BATALHA POR DETRÁS DOS CENÁRIOS

 

Martinho Júnior, Luanda

1 – A oligarquia financeira russa, concentrada em torno do Presidente Putin e consubstanciada no seu poder, está fora da esquadria da aristocracia financeira mundial que tem como expoentes famílias como os Rockefeler, os Morgan, os Rothschild…

Em 2003, o episódio da Yukos – Open Russia Foundation – Menatep – Mikhail Khodorkovsky ilustrou o volte face depois da Perestroika e do neo liberalismo dos tempos de Boris Yeltsin.

A tomada de assalto à Rússia por parte da aristocracia financeira mundial através do “cavalo de Tróia” da Yukos falhou com a chegada de Putin ao poder e o “desastre” apanhou por tabela a “iniciativa” da Open Russia Foundation, cujos escritórios foram fechados com o confisco de todo o seu recheio!

2 – O “front” da longa batalha financeira contudo não se desvaneceu, passando apenas para o exterior da Rússia, sempre em seu entorno e mobilizando-se na sua vocação geo estratégica na procura de domínio sobre os recursos do petróleo e do gás.

O Cáucaso, na sequência dos acontecimentos na Bielo Rússia, nos Balcãs e na própria Rússia, teve dois episódios decisivos:

- Em 2003 a “Revolução Rosa” impulsionada pela CIA e por George Soros assume o poder na Geórgia, derrubando Eduard Shevardnadze;

- Em Agosto de 2008 a Rússia recupera o fôlego e derrota a Geórgia numa “guerra relâmpago”, criando as condições para a neutralização dos interesses que deram origem à “Revolução Rosa” cuja motivação económica, financeira e geo estratégica na região era o oleoduto Baku-Tbilissi-Ceyhan.

Dez anos depois a batalha continua e um dos episódios marcantes da actualidade reflecte-se em toda a região do Mediterrâneo Oriental e Médio Oriente!

3 – O Cáucaso foi o prelúdio de outros acontecimentos que foram consubstanciados em sequência temporal: às “Revoluções Coloridas” (a norte) seguiram-se as “Primaveras Árabes” (a sul), integrando sempre os mesmos impulsionadores externos, o que a Rússia e por tabela a China, não perderam de vista…

Na parte europeia, enquanto notícias da existência de colossais reservas de petróleo e gás davam a Grécia como potencialmente rica, a crise do euro atingia Atenas colocando o país em precariedade, dependência colonial e à mercê dos interesses financeiros de cariz anglo-saxónicos.

No âmbito desse espaço geográfico sensível, os “élans” ocidentais que vinham da década de 90 do século passado mantiveram-se e deram oportunidade a uma revitalização de alianças: os interesses sobre a exploração do petróleo barato foram criando laços ainda mais fortes entre os interesses financeiros da aristocracia financeira mundial, eminentemente anglo-saxónica e as casas monárquicas arábicas.

Na Rússia perderam em 2003, mas no Mediterrâneo Oriental e o Médio Oriente, o “grande jogo” está em plena efervescência!

As tensões, conflitos e guerras que vêm eclodindo no Mediterrâneo Oriental, nas regiões continentais da Ásia Ocidental e da Ásia Central resultam da conexão desses interesses que colocam face a face por um lado a oligarquia da Rússia, o poder da China e aliados como a Síria e o Irão, por outro os Estados Unidos, os seus dependentes aliados ocidentais, os falcões de Israel e os seus “parceiros” árabes, entre eles as poderosas monarquias da Arábia Saudita e do Qatar.

4 – Em relação à Líbia não houveram dificuldades no Conselho de Segurança da ONU, mas o que veio a acontecer desde então, alertou a Rússia e a China, que começaram a assumir uma contraposição mais decisiva, inteligente e, em alguns casos, não menos musculada.

O jogo entre a aristocracia financeira mundial e a panóplia de seus interesses e alianças, contra a cada vez mais poderosa oligarquia russa com interesses comuns em relação ao poder da República Popular da China e sincronizada com um conjunto de alianças na Ásia, começou a fazer-se sentir quando estalou a crise síria por muitos analistas e observadores considerada como um preâmbulo em relação ao Irão.

Dez anos depois do episódio da Yukos – Open Russia Foundation – Menatep – Mikhail Khodorkovsky, a crise da Síria atingiu um auge e, por detrás dos cenários, face a face alinham-se os mesmos poderes económicos, financeiros e as geo estratégias.

5 – Os falcões de Israel têm um papel muito activo como elemento catalisador ocidental em relação ao movimento financeiro, em relação ao intrincado dos interesses ocidentais em toda a extensão da região e às conexões entre alguns sectores da aristocracia financeira mundial e os senhores feudais das monarquias arábicas “saturados” de petro-dólares e de moedas fortes.

Os radicais islâmicos, financiados pelas monarquias arábicas instrumentalizadas pelo poder da hegemonia, tiveram a oportunidade para se estabelecerem no quadro dessas alianças, integrando o pelotão de tendências na Chechénia, nas “Primaveras Árabes”, na Líbia, na Síria, no Iraque e em África, assumindo-se como factores de desestabilização de baixo custo que tomaram o lugar dos grupos de pressão conformes às anteriores "Revoluções Coloridas”…

Os interesses de Murdoch e de Lord Jacob de Rothshild na actual conjuntura chegaram e fazem-se sentir quase ao mesmo tempo e ao mesmo nível no que diz respeito a Israel e ao Qatar:

- Em Israel por via da Genie Energy, associando personalidades como Dick Chenney e com os olhos postos nos montes Golan, antecâmara da Síria rica em petróleo e gás inexplorados e de baixo custo, bem como peça importante na geo estratégia dos oleodutos e gasodutos;

- No Qatar como banqueiros, investidores na exploração e exportação de petróleo e gás, accionistas maioritários de companhias de seguros e até… experientes conhecedores de arte!...

Esses interesses expandem-se no Mediterrâneo Oriental onde a Grécia, a Turquia e Chipre estão à mercê do monstro financeiro!

6 – Apesar da crise na Síria ter-se atenuado, os poderes económicos, financeiros e geoestratégicos “behind the scenes” estão presentes nos dois lados do “front” e em feroz concorrência de interesses, pelo que tensões, conflitos e guerras não foram ultrapassadas.

No mar as esquadras estão face a face no Mediterrâneo Oriental e se os Estados Unidos e seus aliados colocam os navios em posição ao norte do Golfo de Sirtre, a Rússia interpõe-se com sua esquadra entre eles e o território sírio, tendo Tartus como ponto de apoio!

Hoje por hoje há um ganho: é muito mais difícil iludir aqueles que lutam por uma paz duradoura em benefício da humanidade e do planeta e não se deixam enredar por contenciosos viciados por uma lógica que conduz a terra à exaustão e a humanidade ao precipício!

Artigos correlacionados:
. Novas tecnologias ao serviço da hegemonia e da morte;
. Cínicos ódios de Setembro;
. O início do “efeito boomerang”;
. A prolífera Yukos enquanto falível “cavalo de Tróia”.
Mapa: A norte as “Revoluções Coloridas”; no meio o Mediterrâneo Oriental onde estalaram as crises gregas, cipriotas e turcas, mais o Mar Negro e o Mar Cáspio; a sul o Iraque, o Afeganisão, o Paquistão, o Cáucaso, a Ásia Central, a Geórgia, as “Primaveras Árabes”, a Líbia, a Síria, o Irão… por detrás a aristocracia financeira mundial, os seus aliados ocidentais e os “parceiros” das monarquias arábicas, com recheio feudal, “carregados” de petro-dólares e financiadores das tão versáteis quão manipuláveis redes da Al Qaeda!


A consultar:
.
Rothschild Open Russia Foundation Shut Down by Russia in 2006 – http://larouchepac.com/node/13843
. RussiaEffectively Closes a Political Opponent's Rights Group –
http://www.nytimes.com/2006/03/18/international/europe/18russia.html?_r=0
.
Yukos – http://en.wikipedia.org/wiki/Yukos
. Los neocons se comen el mundo: desde el Chile de Salvador Allende hasta la Síria de hoy – http://actualidad.rt.com/blogueros/francisco-sanchez-munoz/view/106074-neocon-mundo-chile-salvador-allende-siria
.
Bandar Bush liberator of Syria– http://theglobalrealm.com/2013/08/30/bandar-bush-liberator-of-syria/
. The Dick Cheney SyriaOil Connection –
http://howestreet.com/2013/09/the-dick-cheney-syria-oil-connection/
. Business and Financial Leaders Lord Rothschild and Rupert Murdoch Invest in Genie Oil & Gas –
http://www.idt.net/about/press/story.aspx?id=41777
. Genie Energy –
http://en.wikipedia.org/wiki/Genie_Energy
. Israel approves oil drilling in Golan Heights –
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/middleeast/israel/9885862/Israel-approves-oil-drilling-in-Golan-Heights.html
. Israel grants oil rights in Syriato Murdochand Rothschild –
http://www.craigmurray.org.uk/archives/2013/02/israel-grants-oil-rights-in-syria-to-murdoch-and-rothschild/
. Israel, Obama and other people’s oil –
http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2013/03/201331785837128494.html
. Jacob Rothschild, 4th Baron Rothschield –
http://en.wikipedia.org/wiki/Jacob_Rothschild,_4th_Baron_Rothschild
. Major Alternative Investments Conference Held in Qatar –
http://www.qfc.com.qa/en-us/Media-center/Media-news-detail.aspx?sNewsID=1a8abf11-0052-49c3-bb78-9155f7e1de68
. Why Qatar wants to invade Syria –
http://www.globalresearch.ca/why-qatar-wants-to-invade-syria/5306223
. Who’s buying Greece’s private islands –
http://www.spearswms.com/good-life/travel/47927/whoand39s-buying-greeceand39s-private-islands.thtml
. GreeceIs Not Poor - It Actually Has Massive Uptapped Reserves Of Gold, Oil And Natural Gas –
http://theeconomiccollapseblog.com/archives/greece-is-not-poor-it-actually-has-massive-uptapped-reserves-of-gold-oil-and-natural-gas
. Rising Energy Tensions in the Aegean—Greece, Turkey, Cyprus, Syria –
http://www.infowars.com/rising-energy-tensions-in-the-aegean%E2%80%94greece-turkey-cyprus-syria/
.
THE NEW MEDITERRANEAN OIL AND GAS BONANZA – I – http://alexandravaliente.wordpress.com/2012/03/06/the-new-mediterranean-oil-and-gas-bonanza/; II –
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=29609
. Soros tente de relativiser le jihadisme en Syrie – http://www.voltairenet.org/article176535.html
. La guerra contra la Síria marca el fin de la ética – http://desinformemonos.org/2013/09/la-guerra-contra-siria-marca-el-fin-de-la-etica/
 

Thursday, October 3, 2013

ELEIÇÕES NA LETARGIA DUMA COLÓNIA PERIFÉRICA

 

Martinho Júnior, Luanda

Acompanhei de longe e decifrando o que chega a todo o mundo pelas dilectos média de referência “à portuguesa”, a evolução da situação sócio-políica em Portugal em época de eleições para as autarquias e, no meu ponto de vista, só me parece haver sinais deveras positivos, ao nível do 25 de Abril, quer nos distritos de Beja, de Évora e de Setúbal, quer numa parte do “cinturão” de Lisboa, onde Loures assume um papel de vanguarda... e pouco mais (nesse pouco mais lembro algumas freguesias de Braga e Viana do Castelo, por exemplo e enquanto casos de excepção).

Quer Lisboa, quer o Porto, parecem-me estar, no essencial, “controlados” pelo liberalismo típico dos “Bilderbergers” de orientação elitista anglo-saxónica em época de euro: isso faz parte das “tendências de mercado”, melhor das tendências banqueiras da actualidade, tendo em conta o carácter cosmopolita da globalização no quadro da Nova Ordem Global de acordo com o poder funcional da aristocracia financeira mundial e do seu cortejo de alianças com reflexos na oligarquia e na burguesia portuguesa!

A deriva dos “Bilderbergers” é uma remanescente que de certo modo indicia resultar dos tempos das guerras napoleónicas, conformes ao manancial de famílias de banqueiros ao jeito da casa Rothshild, algo que contribui para prender os partidos portugueses da "troika" ao governo conjuntamente com outras amarras mais tradicionais com as quais são obrigadas a “fazer pacto”!

A “Santa Inquisição” está presente nos media pelas restritas condicionantes de mentalidade, por vezes de limites bem expressos e essa é uma filtragem indispensável, inclusive para os “críticos” que preenchem o estado de manipulação da informação pública “à portuguesa” tão criteriosamente trabalhada pelo engenho, arte e técnica de “patriarcas” como Francisco Pinto Balsemão!... psicologia e sociologia aplicadas com valor sócio-político e… com bastos resultados nas urnas!...

Parece-me ser evidente que quer o norte do Tejo, quer o Algarve, quer os Açores, quer a Madeira, duma forma geral não se desprenderam do conservadorismo fundamentalista e reaccionário do tempo das cruzadas e da mentalidade meio-feudal, meio-corporativista, das suas "cordas" num processo amalgamado que acabou por ser determinante nas tendências antropológicas, históricas e geográficas do voto, inclusive em relação à expressão oportunista dos pseudo-"independentes"... uma expressão um pouco à moda dos “tripeiros”!... o cerco parece não ter sido movido apenas pelas tropas napoleónicas em séculos idos… hoje há com cada cerco na caça ao voto e em pleno século XXI!

Nesse aspecto o campo de manobra parece nunca ter estado tão propício aos “caciques de ocasião” que são propositadamente injectados nas possibilidades e brechas de participação, quando a fuga à representatividade está tão bem expressa na enorme percentagem da abstenção ao voto!

A esquerda consolidada, mas flexível na tendência de voto, concentra-se na CDU, uma CDU que é repositório de luta e de esperança, mas que contra si tem a “mentalidade média” dum povo que tarda em ganhar consciência crítica das causas profundas da crise, até por que a meio forçada migração, uma doença social crónica como o é a baixa natalidade, subverte qualquer propensão para um outro futuro… enquanto o país vai sendo atirado para um estágio-letárgico de colónia periférica.

Na “esquerda” o Bloco de Esquerda está mais que nunca num beco cuja única saída parece ser, trepando muros, na direcção da decadente social-democracia portuguesa…

O Bloco de Esquerda só pode entrar num "movimento de traslação" trepando ou não muros, numa reviravolta para sair desse beco, por que tem várias decisões a tomar:

- Deixar de ser "bicéfalo" e ao mesmo tempo...

- ...ou escolher a via da compatibilidade com o PS (o que será mais fácil e oportuno tendo em conta o PS+ de Lisboa);

- ... ou enquadrar a CDU (o que será bem mais difícil).

Definir os seus parâmetros por uma psicologia e sociologia aplicadas que não conseguem descer às águas profundas dos princípios e não fazem a radiografia das causas antropológicas, históricas, económicas e sócio-políticas das situações correntes num Portugal em estágio-letárgico enquanto colónia de periferia, está-lhe a ser proibido pela expressão do voto e quanto mais tempo demorar o “movimento de traslação”, menos resultados irá colher no curto prazo!

Do que decidir dependerá o seu "protagonismo" futuro, ou a ausência dele...

Esta é a minha interpretação muito sintética da novela sócio-política à portuguesa com base nestas eleições para as autarquias, num estado cataléptico e decadente cada vez mais evidente e… assumido!

Lá dizia um poeta, num dos seus raros momentos de lucidez: “povo que talhas com teu machado as tábuas do teu caixão”!

Wednesday, October 2, 2013

O INÍCIO DO “EFEITO BOOMERANG

 

Martinho Júnior, Luanda
 
1 – A implosão do socialismo real permitiu aos Estados Unidos assumir durante quase vinte anos um domínio unipolar incontestável, mas há cada vez mais sinais que essa perspectiva se está a esgotar, como também muitas das iniciativas norte-americanas começarem a resultar num “efeito boomerang” que está a trazer, no mínimo, a perda de capacidade ofensiva nos termos do que se conheceu com a dupla regência da administração republicana de George W. Bush.
 
A lógica capitalista neo liberal projectou as regras, mas os Estados Unidos foram sempre mais longe: uma vez que o dólar tinha curso universal e servia como padrão, fabricaram notas sem que houvesse uma correspondência de riqueza real… e puseram o resto do mundo a pagar por essa “iniciativa”, multiplicando as estratégias regionais manipuladas, em especial no que diz respeito aos acessos à exploração e transporte de petróleo e gás!...
 
O seu domínio propagou-se ao controlo dos media, da internet, dos “software” mais aliciantes de comunicação global, de tudo que fosse cibernética… salvo nas ilhas cultivadas por aqueles que, de sobreaviso, foram procurando fazer frente a um império cada vez mais arrogante, mais militarista, mais mercenário e… menos democrático.
 
As matrizes da desigualdade e do desequilíbrio que se foram paulatinamente instalando e são também uma das razões do deslocamento de imensos parques industriais atraídos pelos “mercados” que dessem melhores garantias de lucro, explicam a textura emergente dos BRICS, particularmente os que se situam na Ásia: a Rússia, a China e a Índia.
 
Essa textura emergente por seu turno possibilitou aumentar o nível das disputas pelo domínio energético num imenso jogo que abrange a Ásia Central e Ocidental (Médio Oriente), mas que tem também outros reflexos noutras partes do mundo, não só em relação ao petróleo e ao gás, como também em relação sobretudo aos minerais estratégicos.
 
Com gastos militares avassaladores, os Estados Unidos foram obrigados a fazer frente em termos de concorrência geo estratégica à Rússia, à China e à Índia, que foram incrementando a sua indústria militar salvaguardando-se ao mesmo tempo de exageros operacionais.
 
Desse modo os três emergentes euro-asiáticos foram consolidando interesses comuns e construindo suportes continentais alternativos, ainda que imbuídos de lógica capitalista em muitas das operações correntes, dentro e fora das suas fronteiras.
 
Em alguns casos coutadas próprias da hegemonia foram criadas sobre os escombros das fragilidades e vulnerabilidades acumuladas desde as trevas coloniais, como em África, um terreno fértil para todo o tipo de manipulações!
 
O que acontece no Atlântico em relação às “prerrogativas de domínio” por parte da hegemonia, é uma parte integrante do grande jogo global e o mundo, ao se tornar multipolar, vai definindo os contornos das esferas de influência!
 
Enquanto na Ásia o peso da Rússia, da China e da Índia começa a ser evidente a ponto de obrigar os Estados Unidos a recuar em mais uma iniciativa de guerra, neste caso em relação à Síria e ao Irão, à volta do Atlântico e em especial em África, o peso da hegemonia poucas hipóteses objectivas tem ainda de ser contrariado!
 
2 – Em princípios de 2011 assistiu-se ao primeiro corolário das iniciativas comuns entre a Rússia e a China: inaugurou-se o primeiro oleoduto entre a Sibéria e o nordeste da China e o primeiro produtor de petróleo do mundo, começava a fornecer por essa via ao maior consumidor!
 
Esse acontecimento para a Rússia marcou uma nova fase: pela primeira vez no seu território transcontinental os extremos ocidental e oriental se ligaram para além das vias marítimas, das rodovias e das ferrovias; desta feita o nó das ligações assentava nos imensos campos petrolíferos e de gás da Sibéria profunda.
 
Ao mesmo tempo o degelo está a progredir no Árctico e o binómio Rússia-China está a assumir protagonismo no norte, sem qualquer hipótese de acompanhamento por parte do poder anglo-saxónico e seus aliados:
 
Enquanto a frota estratégica da Marinha de Guerra russa cresce e explora o Árctico como nunca, quer a Rússia quer a China propõem-se em construir e lançar ao mar mais quebra-gelos e estabelecer as rotas para reduzir a distância entre os portos comerciais do Extremo Oriente asiático e da Europa para menos de metade!
 
Essas nervuras estratégicas, ao fugir ao controlo directo dos ocidentais, acicataram as motivações de sua concorrência e do seu protagonismo, quando o capitalismo a ocidente já estremecia atacado por sucessivas crises internas provocadas pela arrogância do lucro ao infinito…
 
A perda de ética, de moral e o universo unipolar que foi criado, fez elevar a fasquias dos riscos, através de fórmulas nunca antes experimentadas.
 
O terrorismo só beneficiou com essa conjuntura e, sendo uma “arma” inteligente, aparentemente contraditória, barata e prolífera, foi uma bênção secreta para as mãos que nunca deixaram de estar tintas de sangue: os lucros dos privados corporativos anglo-saxónicos e de seus aliados arábicos aumentam quanto ele mais se dissemina!
 
3 – A concorrência beneficiou de processos de estímulo, mas os estados que permitiram a absorção de tecnologias e indústrias, forçosamente tiveram que dar início às respostas para fazer face a um dólar que os obrigava a pagar em riqueza o que deixara de ser coberto pelas reservas de ouro, ao mesmo tempo que se assumiam no grande jogo do petróleo, do gás e das geo estratégias competitivas à procura de mais espaço e poder!
 
As tensões que começaram a surgir nas disputas em relação à produção de energia depois do episódio da Yukos na Rússia, acirraram-se em relação ao petróleo barato, explorado nas areias, nos mares interiores (como o Cáspio), ou ainda na Sibéria, o mesmo acontecendo em relação ao gás, bem como a todos os respectivos processos de transporte por terra ou por mar:
  
- Por terra na disputa de espaços para a construção e exploração de oleodutos e gasodutos;
 
- Pelo mar para garantir a segurança das vias de escoamento em direcção aos grandes pólos transformadores e consumidores.
 
Os interesses do estado russo que colidiram no post Yeltsin com os interesses concentrados na “Russia Open Foundation” de George Soros em 2003, continuam em rota de colisão agora na Síria, onde Murdoch e Lord Jacob Rothschield procuram tirar partido das alianças nas monarquias arábicas e dos seus desejos de domínio regional em acordo tácito com Israel.
 
4 – As veladas agressões promovidas pelos Estados Unidos utilizando processos terroristas com raízes num passado não muito distante em que os grupos radicais islâmicos haviam sido cooptados para servir os seus interesses durante a Guerra Fria, tiveram a partir do 11 de Setembro de 2001 um elevado grau de manipulação sem que houvesse na fase inicial concorrentes capazes de assumir oposição: no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão, na Somália, na Líbia, ou seja, contornando a imensa Rússia transcontinental e jogando com o Cáucaso e a Ásia Central a sul: o caminho mais curto para atingir a Sibéria!…
 
As avisadas Rússia e China ampararam-se reciprocamente e procuraram consolidar suas posições comuns, enfrentando os radicais islâmicos em regiões tão nevrálgicas como as do Cáucaso, as da Ásia Central e as da China Ocidental, mantendo um grau elevado de aproximação à Índia, uma Índia que desde há muito se habituou a lidar com as tensões e os conflitos contra radicalismos islâmicos, de certo modo aliás conformes à dissolução da União Indiana e às sucessivas independências do Paquistão (1947) e do Bangladeche (1971), assim como dum seu remanescente como o Caxemira!…
 
Enquanto a Rússia e a China procederam sempre contra esses radicais, os Estados Unidos manipularam-nos pelo menos nos Balcãs, na Chechénia, no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão, na Líbia e na Síria…
 
Desde a década de noventa que o curso era livre para as iniciativas da hegemonia unipolar ocidental, com a sua panóplia de aliados e alianças, mas agora em que os Estados Unidos se vêem obrigados a enfrentar os efeitos em cadeia da crise do dólar e das dívidas, tal como os emergentes com seus próprios objectivos capazes de domínio no enorme continente euro-asiático e criando outras moedas para garantir maior estabilidade e equidade nas transacções comerciais, o seu poder perde fôlego e potencial.
 
Os emergentes passaram a procurar realizar capacidades que reduzissem o espaço da hegemonia unipolar, conforme os últimos acontecimentos na Síria, visando instalar e defender seus próprios interesses e abrindo caminho a soluções multipolares…
 
… Por isso os riscos se multiplicaram e as tensões atingiram níveis por vezes acima das fasquias típicas do período que se tem designado como de Guerra Fria!
 
No meio do ciclo, o Irão vai-se impondo na mais conturbada região, assumindo-se numa atitude que reforça o campo das emergências!
 
Para com o império hoje em dia o início do “efeito boomerang” é uma constante nas relações internacionais; lá diz o ditado: “quem semeia ventos arrisca-se sempre a colher tempestades”… em especial se a persistência unipolar for levada avante recorrendo à força, à mentira, à manipulação e ao ódio!
 
Artigos correlacionados:
. Novas tecnologias ao serviço da hegemonia e da morte;
. Cínicos ódios de Setembro;
. A prolífera Yukos enquanto falível “cavalo de Tróia” – publicado a 12 de Dezembro de 2003 no ACTUAL; (a seguir);
. A longa batalha por detrás dos cenários (a publicar).
Mapa: Circuitos de oleodutos e gasodutos russos em direcção ao ocidente; faltam no mapa os que foram construídos até ao oriente remoto, até Vladivostoque e ao nordeste da China!
A consultar:
. Zip, Zip – 35 – A dança das estações – Martinho Júnior – Maio de 2010 – Publicado no Página Um.
. Russia Effectively Closes a Political Opponent's Rights Group – http://www.nytimes.com/2006/03/18/international/europe/18russia.html?_r=0
. Syrian Oil Positions – Murdoch & Rothschild Possess Crystal Ball – http://intellihub.com/2013/08/30/syrian-oil-positions-murdoch-rothschild-possess-crystal-ball/
. Energia e geo-política: a batalha pela Ásia Central – http://outraspalavras.net/posts/energia-e-geopolitica-a-batalha-pela-asia-central/
. O Pan-Islamismo radical e a Ordem Internacional liberal – http://comum.rcaap.pt/bitstream/123456789/1416/1/NeD100_JoaoMarquesAlmeida.pdf
. Onde estava Ossama Ben Laden a 11 de Setembro de 2001? – http://paginaglobal.blogspot.com/2011/05/onde-estava-ossama-bin-laden-em-11-de.html
. Do derrubamento de Mossadegh à ofensiva contra a Síria – http://resistir.info/mur/mossadegh_26set13.html