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Saturday, October 19, 2013

Angola: RECUSADOS TRÊS PEDIDOS PARA ARQUIVAR SUSPEITAS

 

TSF
 
O Ministério Público já negou por três vezes arquivar as suspeitas contra os principais visados no processo de Angola. A última recusa foi há duas semanas, diz o Expresso.
 
O semanário Expresso conta que o pedido de arquivamento foi feito pelo advogado português que representa Manuel Vicente, Hélder Vieira Dias e Leopoldino Nascimento.
 
O último pedido foi entregue há duas semanas, mas teve a mesma resposta dos pedidos anteriores - o ministério público recusou o arquivamento, alegando que as finanças estão ainda a fazer perícias financeiras aos três envolvidos.
 
O jornal adianta que nenhum dos três angolanos foi ainda ouvido pelas autoridades portuguesas. Não são arguidos e gozam portanto, da presunção de inocência, refere o semanário.
 
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Angola: INSULTO DE LISBOA

 


Álvaro Domingos – Jornal de Angola, opinião – 19.10.2013
 
O Bloco de Esquerda em Portugal beneficia de indulgência e compreensão porque os seus mais importantes dirigentes ainda não sabem como devem apresentar-se ante a sociedade. Prometeram uma prática política diferente, sobretudo ao nível das lideranças. Mas em breve surgiu Francisco Louçã dizendo que o partido era ele, num arremedo de Rei Sol com tiques evidentes de Menino de Deus.
 
Os outros dirigentes sentados à mesa da liderança comeram e calaram. Mas o desastre eleitoral nas últimas legislativas ditou o afastamento do rei, que uma vez morto foi substituído por Catarina Martins, uma simpática bloquista bojuda, histriónica, politicamente assim-assim e sem a noção do que é ser líder de um partido com representação parlamentar. O cabotinismo é um adorno desaconselhável.

A humilhação que foi infringida ao Bloco de Esquerda pelos eleitores portugueses nas recentes eleições autárquicas deixaram o resto da “mesa” em fanicos e agora é o salve-se quem puder e o último a sair que enterre João Semedo, um verdadeiro erro de casting que merecia melhor sorte, dada a sua inegável qualidade política. Os ratos começaram a abandonar o navio logo no primeiro desaire eleitoral. Um deles assentou praça no “Expresso” e para compor a ração, dispara tiro instintivo contra Angola.

O bufão sobrevive rente ao chão, acotovelando vermes e minhocas, para ter algum espaço que lhe permita apodrecer. Um dos seus últimos bafos é altamente condenável. Chamou mercenários aos portugueses que labutam em Angola. Ainda que o biltre não mereça resposta nem responso, por uma questão de solidariedade temos de reprovar semelhante afronta.

Os portugueses que trabalham em Angola são gente boa e desempenham as suas tarefas com competência e profissionalismo. Estão sempre disponíveis. Respeitam os angolanos e muitos já constituíram cá família. Outros, depois do período de adaptação, trouxeram mulheres e filhos. Regra geral, os portugueses são os mais entusiastas e activos agentes da reconstrução nacional. Não merecem que um bloquista oportunista lhes chame mercenários.

Porque apesar de terem sido acolhidos em Angola fraternalmente, quase todos têm saudades da sua pátria e enviam todos os meses para Portugal as suas poupanças. As remessas dos emigrantes portugueses que trabalham em Angola estão em terceiro lugar, depois da França e da Suiça. Também por isso não merecem que um escriba desalmado lhes chame mercenários.

Mas sobretudo porque o Bloco de Esquerda tem grandes responsabilidades na situação em que Portugal hoje se encontra e que levou centenas de milhares de portugueses a deixaram a sua terra natal, as suas casas, as suas famílias e os seus amigos. A direita deu a Louçã e seus acólitos todo o espaço nas televisões, rádios e jornais. Eram as estrelas da companhia. Como resultado dessa exposição mediática, o Partido Comunista enfraqueceu.

Como a receita funcionou bem, a direita pôs Francisco Louçã e os seus papagaios a atacar o Governo do engenheiro José Sócrates, o melhor que Portugal teve depois do 25 de Abril. Num quadro de gravíssima crise internacional e particularmente na Zona Euro, o Bloco de Esquerda ajudou a direita a derrubar José Sócrates, escancarando as portas à Troika que desde então, confisca tudo quanto é dinheiro aos portugueses que vivem dos seus salários e das suas pensões e reformas.

Chamar mercenários aos portugueses que cá trabalham é uma indignidade revoltante. Se aqueles que são a voz oficial de Pinto Balsemão vivessem em Angola, se vissem os olhares tristes de muitos portugueses que deixaram tudo para trás para poderem sobreviver e manter as suas famílias, não se atreviam a semelhante monstruosidade.

Em Angola não há portugueses mercenários. São todos bons cidadãos, trabalhadores, educados e responsáveis. A direcção do Bloco de Esquerda só tem um caminho: desautorizar imediatamente o farsante que ousou insultar milhares e milhares de portugueses que além de estarem a governar as suas vidas e as dos seus familiares, ainda mandam remessas de dinheiro para que a garotada que tomou de assalto a política portuguesa se divirta à grande e à francesa. Para aqueles que são a voz oficial de Pinto Balsemão não há crise. Nadam todos em dinheiro. Por isso, a infâmia é ainda mais condenável.

Os mercenários portugueses estão todos em Lisboa e os mais desprezíveis pertencem ao império mediático de Pinto Balsemão.

Leia mais em PG
 

Marcha de apoio a José Eduardo dos Santos foi também de saudação a portugueses…

 

… que vivem em Angola
 
A marcha de apoio ao Presidente angolano José Eduardo dos Santos, realizada hoje em Luanda, acabou por se transformar numa enorme saudação às dezenas de milhar de portugueses que vivem e trabalham no país.
 
O percurso, de cerca 20 quilómetros e que ligou a praia do Bispo, na Chikala, ao Largo da Independência, com regresso ao local de partida, defronte do Mausoléu onde se encontram os restos mortais do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, foi percorrido por uma coluna motorizada, com centenas de motas, carros e autocarros.
 
Além dos vivas a José Eduardo dos Santos foram em várias ocasiões ouvidos vivas também aos cidadãos portugueses que vivem e trabalham em Angola.
 
A iniciativa partiu da recém-criada Associação dos Amigos do Bem e da Paz, cujo presidente, Hélder Balsa, disse à Lusa que o objetivo era manifestar apoio a José Eduardo dos Santos e ao discurso que proferiu na passada terça-feira, no parlamento, sobre o Estado da Nação.
 
Na ocasião, José Eduardo dos considerou que "o clima político atual" da relação entre Portugal e Angola "não aconselha à construção da parceria estratégica antes anunciada" entre os dois países.
 
Na zona de concentração da manifestação, a única referência à questão das relações bilaterais era um grande cartaz que tinha inscrita a frase "Não queremos ingerências nos assuntos internos do nosso país", mas o discurso de Hélder Balsa, e sobretudo o destaque dado à presença de dois jornalistas portugueses, os correspondentes das agências Lusa e Reuters, demonstrou que o objetivo inicial passou a incluir o apoio aos portugueses que vivem atualmente em Angola.
 
"Os portugueses que cá estão e que cá continuam, de certa forma sentem-se angolanos, porque abandonaram as suas casas e estão cá a dar um contributo muito válido para o desenvolvimento do país", frisou Hélder Balsa.
 
O presidente da associação concluiu enviando uma mensagem aos pelo menos 120 mil portugueses que vivem e trabalham em Angola: "São bem-vindos todos os portugueses. O fim da parceria estratégica não quer diz que os portugueses não são bem-vindos".
 
E durante o percurso, que decorreu sem qualquer tipo de incidentes, os cerca de 3 mil participantes, segundo a organização, com um enorme autocarro com colunas de som a abrir o desfile, entremeava música angolana com palavras de ordem de apoio a José Eduardo dos Santos e aos portugueses, designadamente "Vivam os portugueses que vêm por bem" e "Viva a paz".
 
RTP - Lusa
 

CAVACO SILVA DEFENDE REGIME ANGOLANO COMO QUALQUER DITADOR

 


Os textos que se seguem são parte integrante do semanário angolano Folha 8 na sua última edição em 12 de outubro, que temos vindo a publicar na disponibilidade possível. A abordagem que visamos relaciona-se com as declarações de Cavaco Silva, ontem, chegadas a Portugal. Cavaco (junto com Passos Coelho) está na América Latina na Cimeira Ibero-Americana, que se realiza no Panamá. 
 
Foi evidente que aquele presidente da República Portuguesa encaixa perfeitamente na expressão “mais papista que o Papa” (mais ditador que o ditador) quando pretende proceder a uma lavagem do regime ditatorial angolano desde há mais de trinta anos, referindo simplesmente que Angola é um país democrático, que foi a eleições e tem orgãos legítimos manifestados pela vontade do povo angolano (TSF). Mas os mais de trinta anos de ditadura declarada, sem eleições presidenciais - e legislativas (menos anos) – nada contam para Cavaco. Nem a atualidade de democracia de faz-de-conta vigente em Angola (que Portugal vai procurando imitar).
 
Nem contam as muitíssimas dúvidas e incidentes ocorridos e referidos pela comunidade internacional observadora sobre o modo como decorreram as eleições presidenciais (por exemplo). E não contam também prisões de jornalistas, assassinatos de opositores, nem desaparecimentos, nem a repressão e violência policial-presidencial-governamental – para não lhe chamarmos terrorismo de estado. Nada conta para Cavaco sobre isso e muito mais que é adverso aos regimes democráticos. O que significa que Cavaco indicia que tem inveja de Eduardo dos Santos e do seu regime. Razão plausivel (e por cifrões sujos ou não) porque um PR de país europeu dito democrático defende regime angolano - mascarado de democracia - como qualquer ditador. Os angolanos (ou os portugueses) que se lixem. Quem nos dera que assim não acontecesse.
 
Seguem-se as “caixas” do Folha 8 com opiniões diversas sobre a “novela” Rui Machete em Angola e os seus armários a transbordar de esqueletos. (Redação PG – CT)
 
“PORTUGAL VAI PERDER COM ATITUDE DE SUBSERVIÊNCIA FACE AO PODER DE ANGOLA”
 
O professor de Economia na Univer­sidade Católica de Luanda e líder do Bloco Democrático Justino Pinto de Andrade disse que as declarações de Rui Machete deram “uma má ima­gem de Portugal” em Angola.
 
No quadro das relações entre Portu­gal e Angola, presente e futuro não podem ser encara­dos da mesma forma. Se, no presente, Portugal pode ga­nhar com uma cumplicidade com Angola, no futuro o mais certo é vir a “perder”. “As elites políticas” de Lisboa no relacionamento com o poder em Luanda passam a linha da cumplicidade para o campo da “subserviên­cia”. Para ele as declarações do ministro Rui Machete dão “uma má imagem” de Portugal em Angola. Algo que vem na sequência de comportamentos anteriores e que, ao contrário do que podem pensar os políticos portugueses, “não ajuda a fomentar as relações entre os dois países”.
 
A cumplicidade entre Portugal e Angola pode trazer “um maior fluxo” de comércio e investimentos, mas “só no curto prazo”, considerou o analista. “Se olhar para o futuro, Portugal vai perder muito. As autoridades an­golanas não respeitam quem se põe de joelhos. É uma forma muito negativa de relacionamento.” Esta posição “é muito má para a imagem de Portugal”, considerou ao Público Justino Pinto de Andrade. “As pessoas pensam que ficando de joelhos fomentam as relações entre os dois países”. “É o contrário.” As investigações abertas em Portugal são referentes a suspeitas de actos em território português, nota Justino Pinto de Andrade. A “promiscuidade entre a Justiça e a política” em Angola impede “o apuramento” das suspeitas de “actos ilícitos que envolvem entidades angolanas”, realça. “Se os actos ilícitos que envolvem as entidades angolanas em ter­ritório português fossem investigados, nós em Angola teríamos melhor forma de pressionar os políticos cor­ruptos”.
 
MACHETE RECUSOU RESPONDER SOBRE DIREITOS HUMANOS EM ANGOLA
 
A deputada do Bloco de Esquerda Helena Pinto considera que a situação do ministro de Estado e dos Ne­gócios Estrangeiros de Portugal, está “sem retorno e sem saída”, no caso da entrevista a RNA. “O problema reside nas funções que desempenha, um ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros não fala por si próprio nem faz interpretações pessoais e políticas quando fala aos microfones de uma estação estrangeira”, afirmou. Ainda durante a interpelação, a deputada de Esquerda, quis saber qual será a posição da diplo­macia portuguesa na próxima cimeira bilateral face às violações dos direitos humanos em Angola.
 
Após o silêncio de Machete em relação à posição que Portugal iria defender na próxima cimeira com Angola no que respeita aos direitos humanos, Hele­na Pinto voltou a questioná-lo sobre o assunto, por­que “todos sabemos o que é que se passa em Angola e não podemos fechar os olhos”, concluiu.
 
LAMENTÁVEL EXERCÍCIO DE SUBSERVIÊNCIA
 
O “pedido de desculpas” que o ministro dos Negócios Estrangeiros português efectuou à Rádio Nacional de Angola não foi um pedido de desculpas ao povo de Angola, ao contrário do que diz Rui Machete, mas um lamentável exercício de subserviência pe­rante a elite do MPLA que trata Angola como sua propriedade privada.
 
Diz o ministro que tal “pedido de desculpas” teve como objectivo contribuir para o “apaziguamento na relação entre os dois países”. Para justificar o injustificável in­ventou um problema inexistente. Não existe nenhum problema nas relações entre os dois países e muito menos entre os dois povos.
 
As declarações do ministro envergonham os portugueses. São um pedido de des­culpas, isso sim, por Portugal ser uma democracia onde é a Justiça, e não o Gover­no, que decide as investigações judiciais.
 
A economia portuguesa está a viver momentos complicados, muitos dos quais cria­dos ou agravados pelo atual Governo, mas nada permite (a começar pela dignida­de) que se estenda uma passadeira vermelha para qualquer tipo de investimento, incluindo o que tem a ver com branqueamento de dinheiro ou resulta da corrupção e pilhagem dos recursos de outros países.
 
João Semedo - dirigente do Bloco de Esquerda
 
Inserido em "caixas" no título “QUEIROZMATOZOIDE”DO DISCRIMINATÓRIO JORNAL DE ANGOLA DEFENDE MACHETE", em Folha 8 – edição 12 outubro 2013 – já publicado em Página Global
 

“MAL ENTENDIDOS” ENTRE PORTUGAL E ANGOLA “VÃO SER ULTRAPASSADOS" – Cavaco

 


O Presidente da República Portuguesa, Cavaco Silva, afirmou na sexta-feira estar certo de que "mal entendidos" entre Portugal e Angola e "eventuais desinformações" vão ser ultrapassados e que os dois países vão fortalecer o seu relacionamento.
 
Em declarações aos jornalistas, à margem da XXIII Cimeira Ibero-Americana, na Cidade do Panamá, o chefe de Estado português adiantou que na terça-feira à tarde "ocorreram contactos" entre o seu gabinete e o gabinete do Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, e que "a conversa correu bem".
 
Questionado sobre a que "mal entendidos" e "eventuais desinformações" se estava a referir, o Presidente da República Portuguesa respondeu que não é altura de os "avivar", mas sim de trabalhar para os ultrapassar. "Eu não irei avivar nada daquilo que pode eventualmente ter estado por detrás desses mal entendidos", acrescentou.
 
Segundo Cavaco Silva, "quando as relações entre dois países são muito intensas, como é o caso de Portugal e de Angola, por vezes surgem mal entendidos".
 
Lusa
 

Embaixador de Angola: Investimentos portugueses continuam a ser “bem-vindos”

 

 
O embaixador angolano em Portugal assegurou em entrevista à SIC Notícias que os investimentos portugueses em Angola são “bem-vindos” e garantiu que os portugueses que trabalham no país “não estão a ser perturbados”.
 
“Os investimentos portugueses em Angola são bem-vindos. Os portugueses que estão a trabalhar em Angola não estão a ser perturbados, nem o Estado angolano vai permitir que sejam perturbados na sua vida normal pelo facto de serem portugueses”, garantiu José Marcos Barrica numa entrevista ao programa “Sociedade das Nações” que será exibida este sábado no canal noticioso.
 
O diplomata, nas primeiras declarações desde a polémica declaração do Presidente angolano José Eduardo dos Santos a anunciar o fim da pretendida parceria especial entre os dois países, assegurou que o seu país continua a “precisar” de Portugal e do contributo dos portugueses.
 
“Não se disse que terminaram as idas dos portugueses a Angola. Não se disse que Angola não precisa de Portugal. Precisamos dos portugueses, precisamos de Portugal para o nosso desenvolvimento, como precisamos também de outros países que tenham algo para oferecer-nos do ponto de vista tecnológico, do ponto de vista do conhecimento”, disse.
 
No entanto, e no pequeno excerto das suas declarações hoje divulgadas na página ‘online’ da SIC, José Marcos Barrica advertiu que “esta boa vontade (…) não pode ser feita a qualquer preço” e mesmo tendo “consciência” que é sempre encarada com “desconfiança”.
 
“Os angolanos, os seus dirigentes, não se sentem confortados quando sabem que o seu par de relação, no caso Portugal, o território português por exemplo, é um território onde avultam sinais de desconfiança por parte destas pessoas, muitas delas bem colocadas no Estado português”, sublinhou o diplomata.
 
E concluiu: “Quer dizer, não é bom que um dirigente angolano, por exemplo, que venha a Portugal, saiba que a opinião que se tem dele é de um criminoso”.
 
Na terça-feira, durante o discurso sobre o estado da Nação na Assembleia Nacional de Angola, em Luanda, José Eduardo dos Santos anunciou o fim da parceria estratégica com Portugal.
 
"Só com Portugal as coisas não estão bem. Têm surgido incompreensões ao nível da cúpula e o clima político atual, reinante nessa relação, não aconselha à construção da parceria estratégica antes anunciada", considerou o Presidente angolano.
 
Portugal e Angola têm previsto realizar em Luanda, em fevereiro do próximo ano, a primeira cimeira bilateral, cuja realização foi anunciada em fevereiro passado pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas.
 
Fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros português disse na quarta-feira à Lusa que Portugal continua a preparar o encontro dos líderes dos dois países.
 
Também na quarta-feira, o primeiro-ministro português afirmou que fará tudo o que está ao seu alcance para que a relação entre Portugal e Angola não seja abalada, referindo ainda não ter falado com o Presidente angolano sobre este assunto.
 
"Eu farei o que está ao meu alcance, como chefe do Governo português, para que essa relação entre os dois países não seja abalada por episódios de qualquer espécie”, disse Pedro Passos Coelho.
 
“Portanto, aquilo que iremos fazer, como temos vindo a fazer desde o dia em que eu tomei posse, é realizar uma aproximação muito grande com o Governo angolano, mas também com instituições angolanas, de forma a cultivar e a aprofundar esta relação que é importante para as duas nações e para os dois povos", declarou o primeiro-ministro à comunicação social portuguesa, num hotel da Cidade do México, onde se encontra em visita oficial.
 
PCR (EL/IEL) // VM - Lusa
 

Friday, October 18, 2013

NÃO HÁ MACHETE QUE CORTE A RAIZ À INCOMPETÊNCIA

 

We Have Kaos in the Garden
 
Rui Machete escusou-se hoje a prestar mais declarações sobre as relações com Angola, mas admitiu "algum grau de preocupação". "Peço desculpa, mas falamos sobre o que vocês quiserem, sobre o México, como é que correu esta iniciativa. Sobre isso [a relação entre Portugal e Angola], o Governo fez um comunicado, que traduz aquilo que pensamos. Não faço mais declarações".

He, he, he, incompetente com um armário carregadinho de esqueletos e com tantos tectos de vidro a pergunta é quanto tempo se vai aguentar, mesmo sendo titular da pasta do governo em que normalmente os ministros conseguem ter maior popularidade. Pior não podia ser e até uma casa de jogo online já colocou uma aposta com uma data-limite: 1 de Novembro. O mais provável, segundo esta casa de apostas online, é que Rui Machete deixe o cargo, o que faz com que a aposta de um euro valha 1,25 euros em caso de vitória, enquanto um euro apostado na continuação do ministro possa valer 3,50 euros. Ao que chegámos.
 
Leia mais em We Have Kaos in the Garden
 

ANGOLA E A PARCERIA DO SILÊNCIO

 

Daniel Oliveira – Expresso, opinião
 
Quando Angola conquistou a independência, acho que a maioria dos portugueses, que conhecia pela primeira vez a liberdade, celebrou (ou pelo menos reconheceu) esse seu direito. E os que, como eu, são convictamente anticolonialistas nem sequer aceitam a ideia generalizada de que "fizemos mal a descolonização". Porque a frase vive, ela própria, de um preconceito colonial: a de que a descolonização é, antes de tudo, um gesto do colonizador e não do colonizado. De que a forma e o tempo dessa descolonização dependia sobretudo de Portugal e não da própria vontade dos angolanos. Pode ser discutido o processo de transição, gerido por um Estado a descobrir a democracia e, ele próprio, a viver um vazio de poder. Mas num cenário de luta pelo poder em Angola e de revolução em Portugal, não vejo como podiam as coisas correr melhor. Se a descolonização de Angola e restantes colónias portuguesas teve algum problema que não tivesse existido em quase todos os processos semelhantes foi o de ter vindo tarde demais.
 
Estes assuntos ainda são difíceis de tratar em Portugal. Por feridas políticas, mas também humanas. A dos que vieram de África (muitos nascidos nas ex-colónias), com a vida de novo a zeros, e as de ex-combatentes (que foram contra ou a favor da guerra). A história não se faz só de ideias. Faz-se de biografias pessoais. Imagino que o colonialismo português e a guerra civil que se seguiu à independência também seja assunto que agite muitas emoções em Angola. É por isso que quase tudo o que tenha a ver com as relações entre Angola e Portugal causa debates acalorados e acusações carregadas de ressentimentos.
 
Por isso, antes desta conversa, é preciso que não haja confusão: sou anticolonialista por convicção. Contra toda a espécie de colonialismos, novos e velhos, por via das armas ou do dinheiro. E de mim nunca alguém ouvirá derivações das patranhas luso-tropicalistas. Os portugueses foram tão criminosos na sua colonização como todos os impérios coloniais. Foram e são tão racistas como todos os povos podem ser. E também não sou dos que acham que os angolanos estão hoje pior do que estavam quando viviam sob o jugo colonial. Pelo contrário. Por mais injusta que seja na distribuição da sua riqueza, nunca Angola teria crescido como cresceu se, por absurdo, ainda fosse uma colónia portuguesa.
 
Resolvida a primeira acusação que, por oportunismo e falta de argumentos, é feita pelos apoiantes do governo de José Eduardo dos Santos aos portugueses que o critiquem, vou à segunda: não tenho nem alguma vez tive qualquer simpatia pela UNITA. Pelo contrário, sempre lhe devotei um razoável desprezo. Como só posso ter por quem colaborou ativamente com o regime do Apartheid e com a ditadura portuguesa e por quem pouco ou nada fez pela independência de Angola durante a guerra colonial. Considerava Jonas Savimbi um homem pouco recomendável e apenas o defendi quando foi assassinado e exibido ao mundo de forma cobarde e indigna. Também não faço retratos idílicos do passado do MPLA e muito menos do seu líder histórico, Agostinho Neto, que permitam dizer que a realidade de hoje resulta de uma degenerescência recente deste movimento político. A vergonhosa memória do dia 27 de maio de 1977 chegaria para que tal discurso fosse hipócrita. No entanto, sei que não há guerras civis e lutas armadas pelo poder sem crimes. Por isso, para não mexer em mais feridas, limito-me, sem ingenuidades, a colocar tudo isto na perspetiva da história. A guerra civil, as purgas, mas também o passado colonial português e o processo de descolonização. Resumindo: não estou ao serviço de nenhuma força revanchista, seja ela portuguesa ou angolana.
 
Esclarecido tudo isto, passo à triste novela que culminou num inaceitável pedido de desculpas do ministro dos Negócios Estrangeiros e na ameaça de José Eduardo dos Santos a Portugal, provando que quanto mais nos baixamos mais mostramos o que não queremos. O Ministério Público iniciou uma investigação a vários altos dirigentes políticos e económicos (é quase o mesmo) angolanos. Apesar de alguns serem conhecidos por um enriquecimento que nem os cargos públicos que ocupam, nem fortunas de família podem explicar, e que muitos dos seus negócios passam por Portugal, ninguém sabe se estas investigações têm ou não fundamento. Isso, apenas aos magistrados responsáveis por este processo diz respeito. O governo português não tem de pedir desculpas por ter um sistema judicial independente e por nada poder fazer para o travar. Os portugueses têm de se orgulhar disso e o governo não tem de abrir a boca sobre assuntos que não lhe dizem respeito. Muito menos publicamente. Muito menos para pedir desculpas.
 
Que não se enganem os angolanos: a razão porque o governo português pede desculpa nada tem a ver com respeito por eles ou pelo seu governo. É pura necessidade. Há um Portugal que precisa do dinheiro dos angolanos, que quer agradar ao seu ditador e aos que roubam o seu povo. Mas a verdade é que a maioria dos portugueses não vê um cêntimo do dinheiro do BIC ou do BES, do BPI, da GALP ou da ZON, que unem o Grupo Empresarial MPLA e o Grupo Empresarial Bloco Central. A minha vida não melhorou com os investimentos angolanos em Portugal, a da maioria dos angolanos não melhorou com os investimentos portugueses em Angola. A elite angolana limita-se a lavar dinheiro em Portugal, a comprar o silêncio cúmplice das nossas elites e a entrar na Europa pela porta dos fundos. E a elite portuguesa limita-se a tentar sacar uns trocos do pornográfico saque aos angolanos.
 
Da mesma forma que, no passado, alguns portugueses ignoraram os supostos interesses de Portugal em Angola em nome do direito à autodeterminação dos angolanos, pouco me interessam os supostos interesses de Portugal em Angola quando estão em causa valores fundamentais. Da mesma forma que os angolanos não aceitaram que a superioridade económica e militar dos portugueses esmagasse a sua vontade de viver num país independente, não podemos aceitar que a atual superioridade económica de Angola e do seu governo ponha em causa a nossa liberdade de imprensa e de expressão, a independência da nossa justiça e, acima de tudo, a nossa dignidade. Podem os escribas sabujos ao serviço da elite política angolana (alguns deles mercenários portugueses) vibrar com a nossa atual desgraça e vê-la como uma vingança histórica. Também os saudosistas do Estado Novo viram na guerra civil angolana a prova de que os angolanos nunca se saberiam governar sem nós. É a mesma mesquinhez ressabiada. Sou e serei solidário com os angolanos em todas as horas difíceis. E sei que os angolanos de bem também o são connosco, neste momento trágico que vivemos. Mas isso não nos impede, nunca nos poderá impedir, de falar do governo de Angola com a mesma frontalidade com que falamos do nosso. Não há ameaça velada de José Eduardo dos Santos (que quer comprar o silêncio de todos os portugueses através da chantagem, num tempo de necessidade), não há risco para os emigrantes portugueses em Angola, não há dinheiro de Isabel dos Santos, não há compras de grupos de comunicação social feitas por testas de ferro do governo de Luanda que possam travar o espírito livre de quem dá valor às suas convicções.
 
Sabendo do que sofreram os que lutaram pela independência de Angola, seria um insulto que deixássemos que uma postura colonial ao contrário passasse a marcar as relações entre os dois países. Se não quero ser colono, não quero seguramente ser colonizado. Se a parceria estratégica com Angola passa pelo silenciamento, em Portugal, das vozes incómodas para o presidente José Eduardo dos Santos, acho excelente que ela seja imediatamente enterrada. Em 1974 livrámo-nos de Marcelo Caetano. Dispensamos receber ordens do seu congénere angolano.
 
Bem sei que o meu governo, que quase todos os partidos do meu país, que os empresários e que até muitos intelectuais e jornalistas portugueses se comportam de uma forma indigna, rastejando aos pés de José Eduardo dos Santos por uns trocados. Por umas empreitadas, umas parcerias, umas encomendas, umas compras, umas vendas, uns investimentos, uns financiamentos. Como não tenho nem quero ter negócios em Angola, para mim tudo está como estava. Com ou sem parceria estratégica, José Eduardo dos Santos é um dos mais refinados ladrões que África e o Mundo conhecem. E só terei orgulho em ser português enquanto puder escrever esta evidência livremente. E enquanto puder continuar a ser solidário com os que, em Angola, lutam pela democracia, pela justiça social e pela decência ética, arriscando a sua liberdade e a sua vida. Porque a parceria estratégica que me interessa é, antes de tudo, entre povos. Os negócios, sendo importantes, vêm depois. E sei que virá o dia em que Angola será uma democracia madura. E virá o dia que Portugal terá resgatado a sua dignidade. Quando as duas coisas acontecerem, os dois Estados terão as parcerias que os seus povos merecem.
 
Leia mais em Expresso
 

“QUEIROZMATOZOIDE” DO DISCRIMINATÓRIO JORNAL DE ANGOLA DEFENDE MACHETE

 


AS REACÇÕES ÀS DECLARAÇÕES DO MINISTRO LUSO
 
Folha 8 – edição 12 outubro 2013
 
O ministro dos Negócios Es­trangeiros de Portugal, Rui Machete, ao pedir descul­pa às autori­dades do regime angolano pelas, supostas, investiga­ções judiciais que têm sido levadas a cabo no seu país contra figuras próximas do presidente Eduardo dos Santos, limitou-se a dar cumprimento visível à institucionalização da sub­serviência lusa, cumprindo – aliás – ordens do primei­ro-ministro Padro Passos Coelho. Em sua defesa, pe­rante algumas críticas, saiu como é habitual o simiesco “queirozmatozoide”.
 
O simulacro de revolta lusa contra Rui Machete, para além de ter permitido que alguns mercenários do MPLA, tipo Artur Queiroz, saíssem das putrefactas sarjetas do regime, funcio­nou como demonstração inequívoca do poder real que o Governo angolano tem sobre Portugal, no­meadamente nas vertentes económicas e políticas.
 
“Tanto quanto sei, não há nada substancialmente digno de relevo, e que per­mita entender que alguma coisa estaria mal, para além do preenchimento dos for­mulários e de coisas buro­cráticas e, naturalmente, informar as autoridades de Angola pedindo, diploma­ticamente, desculpa, por uma coisa que, realmen­te, não está na nossa mão evitar”, disse Rui Machete, segundo a RNA.
 
Rui Machete limitou-se, de facto, a desempenhar o papel de sipaio que, na esperança de um prato de lentilhas, obedece cega e caninamente ao seu chefe do posto (Passos Coelho) que, por sua vez, aspira a um dia ser como o soba­-maior (Eduardo dos San­tos), razão pela qual lhe lambe as botas e mostra quão lhe agrada ser escra­vo de um senhor que, apesar disso, o alimenta com lagosta.
 
Entre as figuras que suposta­mente estão a ser investigadas pela Justiça por­tuguesa encontram-se o Procurador-Geral de An­gola, João Maria de Sou­sa, o presidente do Banco Atlântico, Carlos Silva, e as filhas do presidente José Eduardo dos Santos. Desde o início que em Portugal se sabe, sobretudo em função da sabujice dos seus go­vernantes (começada com José Sócrates e potencial­mente aumentada pela du­pla Passos Coelho/Paulo Portas) que nesta matéria a montanha iria parir um rato… de plástico.
 
O regime de José Eduar­do dos Santos sabe, de há muito, que o processo era uma forma natural de os seus acólitos portugueses fingirem que são um Es­tado de Direito. Mesmo assim, achou que o assun­to (que deveria ter mor­rido à nascença, como se faz em Angola) estava a demorar muito tempo e que, se calhar, alguns ma­gistrados portugueses até não estavam virados para trabalhar nas lavandarias de Lisboa e, dessa forma, branquear toda a roupa suja envida de Luanda. Vai daí, e bem, fez chegar aos seus amigos do Go­verno a preocupação.
 
Para acalmar a ira do “es­colhido de Deus”, e en­quanto as investigações não são mesmo arquiva­das, Passos Coelho, que mantém – pudera! – toda a confiança no seu minis­tro, mandou Rui Machete (antigo Ministro dos As­suntos Sociais e depois Presidente do Conselho Superior do BPN e Pre­sidente do Conselho Executivo da FLAD) pedir desculpa e di­zer que tudo não passa de um “mal en­tendido”.
 
E não passa mesmo, por muito que se propale o contrário. Tivesse Passos Coelho e Paulo Portas os poderes que José Eduardo dos Santos tem sobre a Procuradoria-Geral da Re­pública, tribunais e demais agentes judiciários, e o as­sunto ou não teria nascido ou, se acaso nascesse, teria sido imediatamente fuzila­do.
 
A subserviência vem de há muito tempo
 
“É um país riquíssimo e os portugueses começaram a ter actos de subserviência em relação a Angola que são chocantes e que deve­mos evitar”, afirmou no dia 13 de Janeiro de 2009 Má­rio Soares, ex-presidente da República portuguesa que, ao contrário do Eduar­do dos Santos foi sempre eleito, numa conferência sobre “Contributos para uma Estratégia Nacional”.
 
Nessa altura, crê-se que Mário Soares se referia sobretudo aos seus ca­maradas do PS, tipo José Sócrates, quando falou da subserviência. Isto porque, de facto, não havia na al­tura melhor exemplo em relação à subserviência de alguns portugueses do que a de José Sócrates relativa­mente ao soba-maior, José Eduardo dos Santos.
 
Será que Mário Soares ti­nha razão em relação à subserviência para com o MPLA (tal como o PS membro da Internacional Socialista)? Tinha como continua a ter. Aliás, nem as actuais críticas do líder socialista, António José Seguro, a Rui Machete ocultam o panegírico que fazem, que continuam a fazer, ao regime do pai da mulher mais rica de África.
 
Se calhar, quando o “Jornal de Angola” diz que o Go­verno ditatorial do MPLA está ao mesmo nível do da sociedade política por­tuguesa, sempre dividida no poder entre PS e PSD, acerta em cheio.
 
Por alguma razão quando o órgão oficial do regime angolano ataca com tudo o que tem e com o que não tem Mário Soares, a co­mandita socialista mete o rabinho entre as pernas e assobia para o lado.
 
De facto, gostem ou não os donos dos areópagos da política lisboeta, a vaselina caiu em desuso no Gover­no português, tal é a habi­tuação. O mesmo se passa com a vergonha. E assim sendo, como mais uma vez se demonstra, Portugal não é sério e já nem se preocu­pa em parecê-lo.
 
A dupla Passos Coelho/Paulo Portas continua a mostrar aos donos de Angola que, por falta de coluna vertebral, o que o Governo português gos­ta é de estar sempre de cócoras, prontinho para ser comido. Por isso o actual primeiro-ministro­-adjunto disse à Lusa, no final de uma escapadela de algumas horas ao reino do MPLA, que o sucesso dos investimentos de em­presas portuguesas em Angola é a chave para a manutenção de postos de trabalho em Portugal.
 
Um milhão e duzentas mil pessoas que nas ociden­tais praias lusitanas estão no desemprego ficaram, valha-lhes ao menos isso, a saber que nada devem ao regime angolano que foi presidido por um cida­dão que esteve 32 anos no poder sem nunca ter sido eleito.
 
“O mercado angolano é o primeiro fora da Europa para as nossas empresas, que fazem aqui uma apos­ta muito importante, que fazem aqui investimentos significativos e que ao ter uma posição importante em Angola estão a prote­ger postos de trabalho na rectaguarda, em Portugal”, disse Paulo Portas.
 
Em matéria de recta­guarda reconheça-se que Paulo Portas sabe do que fala. Não será o único no Governo, mas é dos mais preparados. Outros há que preferem trabalho na hori­zontal, de joelhos e por aí fora.
 
O comentário bajulatório de Paulo Portas, também ele cumprindo ordens do seu chefe do posto, surgiu – recorde-se – na sequên­cia de declarações do en­tão ministro de Estado e da Coordenação Económica, ex-presidente da Sonangol e actual vice-presidente da República, Manuel Vicen­te, segundo o qual Angola não iria reforçar os investi­mentos no tecido produti­vo português.
 
“Angola é um país cujo crescimento económico é enorme. Tem uma prio­ridade importante que é fazer com que esse cresci­mento signifique também uma melhor distribuição. Tem inúmeros planos nas áreas económica e social para o território angolano e na internacionalização, Portugal foi, é e será im­portante, como se vê todos os dias pelos factos”, sa­lientou Paulo Portas.
 
Como o soba-maior de­termina, os seus ministro portugueses com funções delegadas (por isso vão tantas vezes a despacho ao Futungo), não conseguem ver a realidade do Povo an­golano onde perto de 70% vive na miséria.
 
As relações entre Portugal e Angola “são boas e po­dem ainda ser melhores, sempre numa perspectiva duplamente ganhadora. É preciso que os interesses de Portugal em Angola se­jam defendidos e é preciso que os investimentos de Angola em Portugal sejam protegidos”, diz Paulo Por­tas, certamente depois de ter sido suficientemente afagado pelos especialistas do regime.
 
“Há muitas empresas por­tuguesas presentes no mercado angolano: gran­des, médias e pequenas, e há inúmeros planos para o futuro de Angola onde a participação das empre­sas portuguesas é relevan­te e hoje em dia é muito significativa, em sectores importantes, a entrada de capitais angolanos em Por­tugal”, acrescenta Paulo Portas que, certamente, está triste porque nunca mais se concretizar a OPC (Oferta Pública de Com­pra), a retalho ou por ata­cado, sobre Portugal.
 
Apesar dos negócios mais recentes, liderados por Isa­bel dos Santos, como em tudo na vida, quem espera desespera. E Lisboa está a ficar desesperada, tal é o desejo, a vontade, a paixão que coloca nesta opera­ção de compra. De facto, a OPC sobre todo o país já deveria ter sido lançada. Legitimado supostamente por eleições, nas quais os angolanos (os vivos e os mortos) deram uma con­fortável vitória a Eduardo dos Santos, é hora de re­solver o assunto, evitando que políticos como Rui Machete tenham de fazer destas figuras.
 
OS “VELHOS DO RES­TELO” ANDAM POR AÍ
 
A posição crítica de alguns sectores lusos é incom­preensível. Se Portugal não tem capacidade, enge­nho e arte para se aguentar sozinho, só mesmo a ajuda dos outros – nomeada­mente do MPLA – poderá salvar os portugueses de viverem apenas com um prato da farelo.
 
As vozes críticas são, con­tudo, cada vez menos. No espectro político portu­guês, com representação parlamentar, apenas o Bloco de Esquerda não foi ainda comprado pelo MPLA. Todos os outros renderam-se. A nível das instituições, até a Presi­dência da República vai dando uma no cravo e ou­tra na ferradura de modo a, neste caso, agradar a “gre­gos” (Eduardo dos Santos) e “troianos” (Eduardo dos Santos).
 
Aparentemente diferente é a Procuradoria-Geral da República que, tanto quan­to parece, quer mesmo mostrar que ainda há algu­ma possibilidade, embora remota, de Portugal ser um Estado de Direito De­mocrático. Como é óbvio, não vai conseguir levar “a carta a Garcia”. O caminho está todo armadilhado pe­los políticos e pelos seus patrões.
 
Manuel Vicente diz que “o Estado hoje tem outras prioridades. Estamos a olhar mais para os proble­mas internos do que para os problemas externos”, respondendo dessa forma à pergunta se Angola iria participar no programa de privatizações previsto em Portugal nos sectores da comunicação e transpor­tes, ou se a iniciativa fica­ria do lado de empresários privados, como sucedeu nos últimos dias com a empresária Isabel dos San­tos.
 
“Os empresários privados são livres. Onde eles en­contrarem oportunidades e virem que há, de facto, a criatividade e escala para investir, só nos resta, como governo apoiarmos essas iniciativas”, acrescentou o ex-patrão da principal empresa do regime, a So­nangol.
 
Manuel Vicente adiantou, segundo o jornal i, que agora, face à globalização da economia, importa não investir num único merca­do. “O mundo hoje é uma aldeia global e, como se costuma dizer na gíria, não podemos colocar os ovos todos no mesmo cesto. As economias melhoram ou pioram em função dos locais, e temos que ter investimentos em várias paragens e, no fim, termos uma média que seja posi­tiva e que possa garantir a sustentabilidade”, vincou.
 
“As palavras de Manuel Vi­cente deitam por terra os imensos esforços políticos e diplomáticos do governo português para atrair cada vez mais investimento angolano. E podem tam­bém afectar a presença de empresas portuguesas no espaço económico angola­no”, escreve o i.
 
Em todo este contexto, é aconselhável que os portu­gueses atentem nas teses do antigo ministro da De­fesa, figura de destaque do MPLA, e um empresário de sucesso em áreas que vão da banca ao imobiliá­rio, hotelaria, jogos, dia­mantes etc., de seu nome Kundy Paihama.
 
Se os portugueses, tal como todos os angolanos que não são do MPLA, le­vassem em conta as suas palavras, certamente que evitavam ter de viver com um prato de farelo.
 
Num dos seus (foram tan­tos) célebres e antológicos discursos, Kundy Paihama disse: “Não percam tempo a escutar as mensagens de promessas de certos Políti­cos”, acrescentando: “Tra­balhem para serem ricos”.
 
“Criminosos portugueses contra as suas próprias ví­timas”
 
O sipaio Artur Queiroz ati­rou a pedra e, dizendo cha­mar-se Álvaro Domingos, escondeu a pata. Mas não enganou ninguém. O chei­ro a esgotos putrefactos, terreno de especial predi­leção do escriba de plantão no “Jornal de Angola”, de­nunciou-o. Todos sabem que chafurdar na merda é para ele uma questão de vida e de identidade.
 
Diz o mercenário, que até tem Carteira Profissional de jornalista, passada pela respectiva organização tu­telar portuguesa, valendo­-se das informações que o regime faz chegar ao seu submundo, que “Portugal está no centro de uma gra­ve crise social e económi­ca sem fim à vista. O Esta­do Social que nasceu com a Revolução de Abril tem sido friamente destruído pelas elites reinantes. Os fundos de coesão da CEE foram desbaratados por cleptocratas insaciáveis que à sombra de partidos democráticos se com­portaram como vulgares ladrões sem sequer se dis­farçarem com colarinhos brancos”.
 
O simiesco “queirozmato­zoide” explica no “Jornal de Angola” (onde mais po­deria ser?) que “o Portugal que deu as mãos aos novos países que nasceram das suas antigas colónias está crivado de dívidas. Face ao esvaziamento dos cofres públicos, até as pensões e reformas dos idosos são confiscadas. Milhares de jovens quadros são obriga­dos a procurar em países estrangeiros o pão nosso de cada dia. Angola é um desses destinos. Como disse em entrevista a uma televisão portuguesa o Presidente José Eduardo dos Santos, são todos bem­-vindos e têm o apoio e a solidariedade dos seus ir­mãos angolanos”.
 
Não sendo o autor nem português nem angolano (os mercenários não têm nacionalidade), é livre de dizer o que lhe mandam dizer os que lhe pagam, os que o sustentam. E, neste caso, o recado até tem pés e cabeça, ao contrário do escriba que só tem patas e barriga.
 
Animado pela encomenda, “queirozmatozoide” garan­te que “as elites portugue­sas famintas de dinheiro entraram em desvario. À medida que a crise aperta, eles disparam em todas as direcções, atingindo por vezes membros do bando. À medida que a “troika” drena milhares de milhões de euros para os bolsos dos credores, as elites rei­nantes ficam sem cheta e tornam-se mais agres­sivas. E Angola é sempre o alvo destes deserdados dos dinheiros do depaupe­rado Estado Português”.
 
Desta forma, e se calhar ainda vamos um dia destes ver um ministro angolano pedir desculpas a ango­lanos e portugueses por terem dado guarida a esta espécie de mercenários, o articulista tenta acertar contas com os portugueses que não lhe reconheceram méritos suficientes para o quererem como – no mínimo – director-geral do Diário de Notícias, da SIC ou do Jornal de No­tícias, onde durante anos conspurcou a Redacção. Mas nós podemos ficar descansados. Um “bom” mercenário escreve a fa­vor de quem melhor lhe pagar. Tal como no pas­sado já atacou forte e feio o “socialismo de sanzala” do MPLA, amanhã pode­rá fazer o mesmo. É tudo uma questão de ginguba e bananas.
 
Diz o mandatário do José Ribeiro, director do JA, que “se em Portugal alguém ousa lançar um pouco de água na fervu­ra, é crucificado na praça pública e lançado às feras da SIC e de outros órgãos de informação onde fal­sos jornalistas obedientes aos donos fazem o papel aviltante de juízes de um Santo Ofício anacrónico e ridículo. Não se pode di­zer que perdem a cabeça, porque nunca a tiveram, nem como ornamento”.
 
O simiesco “queirozmato­zoide” não perdoa mesmo. Tem a liberdade entalada na garganta e nem a lubri­ficação da sua cavidade bocal o ajuda a engolir. Passa tudo menos a liber­dade. É visível, sobretudo quando fala do que ele não é, Jornalista, o seu orgasmo sádico. É claro que tem o direito de gos­tar, com ou sem vaselina, de qualquer tipo… de ali­mentação. Daí os ataques a todos quantos, cá e em Portugal, defendem que dizer a verdade é a melhor qualidade dos homens (isto não se aplica) de bem.
 
“O ministro de Estado e dos Negócios Estran­geiros, Rui Machete, fez uma declaração à Rádio Nacional de Angola sobre um episódio aviltante que devia encher de vergonha o Poder Judicial em Por­tugal. Órgãos de comuni­cação social portugueses fizeram manchetes “in­formando” que o Vice­-Presidente da República, Manuel Vicente, estava a ser investigado em Por­tugal pelo Ministério Pú­blico. E deram pormeno­res do processo. Pouco tempo depois, a vítima foi o Procurador-Geral da República, João Maria de Sousa. O Ministério Públi­co em Portugal é titular da investigação e acção penal. Portanto, estas notícias só podem ter sido dadas por essa instituição”, conclui o sipaio que – legitimamente – aspira a ser chefe do pos­to num regime em que o Ministério Público, como todas as restantes institui­ções, têm total liberdade para cumprir o que for de­terminado pelo “querido líder” kim iong Santos.
 
“Queirozmatozoide” diz que, “face às reacções in­dignadas contra tão graves crimes de que estavam a ser vítimas os cidadãos Manuel Vicente e João Maria de Sousa, o De­partamento Central de Investigação e Acção Pe­nal (DCIAP) emitiu um comunicado onde infor­mou que existiam inves­tigações mas ninguém tinha sido constituído arguido”, acrescentando que “o Ministério Públi­co e a Procuradora-Geral da República, Joana Vi­dal, nunca mais se digna­ram falar do assunto. E ti­nham que fazê-lo. Porque se exigia, no mínimo, que fosse investigado isto: quem, como e quando violou grosseiramente o segredo de justiça. E ao fazê-lo, violou a honra e o bom-nome de dois cida­dãos angolanos. Acresce que Manuel Vicente foi eleito Vice-Presidente da República com mais de 70 por cento dos votos dos eleitores. E João Maria de Sousa é o Procurador-Ge­ral da República. Também por isto se exigia, num Es­tado democrático, um es­clarecimento cabal de tão graves crimes contra duas pessoas que até prova em contrário são inocentes. Ao alimentar machetes e notícias falsas que têm no centro figuras públicas angolanas, o Ministério Público e a Procuradora­-Geral da República Joana Vidal puseram-se fora da lei. E deram esse salto ar­riscado, para atentarem contra a honra e o bom­-nome de dois cidadãos que desempenham altas funções no Estado Ango­lano”.
 
Pois é. O problema não está nos eventuais crimes cometidos, ou não, pelos cidadãos, neste caso an­golanos. Está em ter-se sabido disso. E, como sa­bemos, em Angola nada disso aconteceria. Nunca nada disso se saberia. Por cá, o regime quer que os jornalistas sejam imbecis (não procurem saber o que se passa) e criminosos (sabem o que se passa mas calam-se). Tal como quer que a liberdade de Impren­sa se resuma à RNA, TPA, Angop e Jornal de Angola.
 
É claro que o modelo de­fendido pela “queiroz­matozoide” criatura tem adeptos, até mesmo em Portugal. Por cá já se sabe que os poucos jornalistas que não são imbecis e cri­minosos tem uma especial apetência para, por exem­plo, chocar com balas que andam perdidas no ar des­de os tempos da guerra ou, ainda, para tentar atropelar as viaturas da Unidade da Guarda Presidencial.
 
Continuemos, entretanto, a leitura do simiesco tex­to. “Face a este quadro é natural que o ministro Rui Machete tivesse vontade de deitar água na fervu­ra. O que ele foi fazer! Os “pivots” anti-angolanos Mário Crespo e João Soa­res abocanharam-lhe os calcanhares, deixando-o sem base de sustentação. Os sindicatos dos juízes e do Ministério Público crucificaram-no e lembra­ram urbi et orbi que em Portugal há separação de poderes. Só é pena que essa separação não inclua também os órgãos de co­municação social”.
 
É pena. Assim, dizer o que se pensa é – quando isso não coincide com a verda­de oficial – um crime con­tra a segurança do Estado, um acto anti-angolano, uma prova de que urge fazer um novo 27 de Maio em que, provavelmente, o “queirozmatozoide” teria a patente de general e che­fiaria o departamento de execuções sumárias.
 
“O episódio que envolveu dois dirigentes angola­nos prova à puridade que há uma relação espúria e aviltante entre o Ministé­rio Público e uma comu­nicação social que actua na lógica das associações de malfeitores. A senhora Procuradora-Geral Joana Vidal, toda abespinhada, atirou-se ao ministro Rui Machete. Melhor fora que revelasse o nome ou os nomes dos procurado­res do Ministério Público que violaram o segredo de justiça, ferindo a honra e o bom-nome de dois ci­dadãos que desempenham altos cargos no Estado Angolano”, diz o arauto dos esgotos do regime, pondo em sentido e a tre­mer de medo quer Joana Marques Vidal quer todos os restantes magistrados. Temem que, um dia des­tes, Artur Queiroz apareça por Lisboa (onde vai com frequência) para dar umas bassulas nos juízes, nos procuradores, nos jorna­listas e em todos os que fazem parte da sua imensa lista negra.
 
No seu longo texto, digno de constar no anedotário dos mercenários, o fobeiro acrescenta que “Rui Ma­chete, como jurista que é, pediu diplomaticamente desculpa (não desculpas diplomáticas) pelas patifa­rias cometidas pelo Minis­tério Público e órgãos de comunicação social contra o Vice-Presidente da Re­pública, Manuel Vicente, e o Procurador-Geral da República, João Maria de Sousa. Os mais assanha­dos membros das elites corruptas e caloteiras portuguesas trucidaram o ministro e por tabela lan­çaram a habitual chuva de calúnias contra os dirigen­tes angolanos, eleitos de­mocraticamente”. Quanto ao facto do Eduardo dos Santos ter estado 32 anos sem ter sido eleito…
 
Por último, a caminho do seu antro subterrâneo, “queirozmatozoide” amea­ça que “como temos três meses para organizar a Cimeira Angola-Portugal, fico por aqui. Mas conti­nuo a exigir que a Procu­radora-Geral Joana Vidal e a Direcção Central de In­vestigação e Acção Penal expliquem aos angolanos e portugueses quem foram os membros do Ministério Público que violaram o se­gredo de justiça, violando gravemente a honra e o bom nome de duas altas figuras do Estado Angola­no”.
 

Parceria estratégica: LUANDA “DEU ORIENTAÇÃO CLARA” A PORTUGAL

 


O Presidente de Angola deu uma orientação "clara" sobre uma eventual parceria estratégica com Portugal, cabendo agora às autoridades de Lisboa pensarem "no que é essencial", disse hoje o embaixador António Monteiro.
 
Em declarações à Lusa, à margem de uma conferência internacional em Lisboa, o diplomata português considerou que a "orientação" de José Eduardo dos Santos "é clara" e que agora as autoridades portuguesas têm de, "calmamente", trabalhar no sentido de criar as "condições" para que a parceria estratégica com Angola "venha a ser realidade".
 
Na terça-feira, no discurso sobre o estado da Nação, o Presidente angolano afirmou que o "clima político atual" da relação bilateral "não aconselha a construção da parceria estratégica antes anunciada", lamentando as "incompreensões ao nível da cúpula" português.
 
Portugal e Angola agendaram para fevereiro, em Luanda, a realização da primeira cimeira bilateral e estimava-se que a parceria estratégica pudesse ser formalizada nessa altura.
 
Sem desvalorizar as declarações de José Eduardo dos Santos -- "não acho que seja uma tempestade num copo de água" -, António Monteiro, que esteve envolvido nas negociações para os acordos de paz em Angola, não vê nelas um "fechar de portas" a Portugal.
 
"Há, de facto, uma tomada de posição em relação a coisas que se têm passado entre os dois países e que temos de encarar de frente", disse o diplomata.
 
"Há aqui matéria para refletirmos e para pensarmos naquilo que é essencial", frisou, concretizando que "o essencial" é que as relações entre Angola e Portugal sejam "privilegiadas".
 
Reconhecendo que as relações têm "tido altos e baixos, como têm todos os relacionamentos entre povos soberanos", o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu que os dois países "têm de se respeitar mutuamente, têm de se compreender mutuamente e têm trabalhar em conjunto".
 
Durante a sessão da conferência que hoje decorreu na Fundação Gulbenkian sobre a futura agenda do desenvolvimento, António Monteiro, na pele de moderador, destacou "o notável progresso alcançado em Angola" nesta matéria, reconhecendo, porém, que "há imenso para fazer, sobretudo no equilíbrio" e instou o governo central de Luanda a "olhar para o Interior do país".
 
Lusa - ontem